No último dia da cúpula de 2019 do Brics, os líderes dos cinco países que compõem o bloco — Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul — fizeram discursos e divulgaram um documento de conclusão das conversas deste ano.

Entre as falas, destaque para condenações ao protecionismo, o aumento de tarifas de importação de produtos, a defesa de reformas nas entidades internacionais de comércio e os olhos voltados para o potencial do Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), o “Banco do Brics”, que pode ser o resultado mais concreto da união entre os países.

O NDB foi o centro de um discurso do presidente do Brasil, Jair Bolsonaro. Ele argumentou que há um desequilíbrio prejudicial ao país na carteira dos financiamentos realizados pelo banco. “Números mostram que é preciso trabalhar junto para superar desequilíbrio em desfavor do Brasil na carteira de financiamentos do NDB”, afirmou Bolsonaro, que ressaltou que caberá ao país indicar o próximo dirigente da instituição.

Da esquerda para a direita, o presidente da China, Xi Jinping, o presidente da Rússia, Vladimir Putin, o presidente Jair Bolsonaro, o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, e o presidente da África do Sul, Cyril Ramaphonsa

Da esquerda para a direita, o presidente da China, Xi Jinping, o presidente da Rússia, Vladimir Putin, o presidente Jair Bolsonaro, o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, e o presidente da África do Sul, Cyril Ramaphonsa

Já o presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, defendeu a ideia de que o NDB seja aberto para financiar países em desenvolvimento que não integram o Brics, como as nações do continente africano que estão em seu entorno. “Estamos prontos para apoiar o banco. Sobretudo sobre iniciativa de fazer contato com vários países da África”

O NDB foi criado em 2014, durante o último encontro realizado no Brasil em Fortaleza, e tem a missão de ajudar a integrar os cinco países economicamente e a financiar projetos. Ele é colocado como uma alternativa aos órgãos internacionais do segmento, como o FMI (Fundo Monetário Internacional) e o Banco Mundial.

O que é o Brics? Constituído em 2006, é um bloco articulado pelos cinco países, nações que se destacam entre os países em desenvolvimento mas que se consideram, em geral, alijados das principais decisões nos fóruns internacionais, constituídos na esteira do final da Segunda Guerra Mundial.

A presidência do bloco é rotativa e, em 2019, o responsável por ocupá-la foi o Brasil, o que explica a realização da reunião desta semana em Brasília. A partir de janeiro do ano que vem, a posição será ocupada pelo presidente da Rússia, Vladimir Putin, que promoverá o próximo encontro em São Petersburgo.

O que representa esta reunião? Economicamente, o Brics não possui o mesmo peso para o Brasil de outros blocos internacionais, como o Mercosul, que inclui livre trânsito de pessoas e negociações comerciais coletivas. O NDB é uma das medidas mais concretas realizadas ao longo desses treze anos.

No entanto, as reuniões acabam sendo oportunidades para a aproximação de empresários dos países e também para negociações bilaterais.

Um exemplo é a conturbada relação entre Jair Bolsonaro, que já acusou os chineses de quererem “comprar” o Brasil, e o governo da China. A reunião desta semana consagrou uma aproximação, a ponto de o ministro da Economia, Paulo Guedes, começar a falar na possibilidade da assinatura de um acordo de livre comércio com a China.

“Comércio aberto, livre e inclusivo”. As reuniões do Brics também são fóruns para que os países alinhem questões em que há concordância das cinco nações para fazer manifestações conjuntas, com peso maior.

Na Carta de Brasília assinada nesta quinta-feira (14), a principal manifestação econômica foi a favor do fortalecimento do FMI e contra a adoção de tarifas protecionistas de importação pelos países que integram a OMC (Organização Mundial do Comércio).

“Reiteramos a importância fundamental de um comércio internacional baseado em regras, transparente, não-discriminatório, aberto, livre e inclusivo”, afirma a declaração conjunta.

Em uma disputa comercial com os Estados Unidos que vem abalando o comércio mundial, o presidente da China, Xi Jinping, cobrou que os líderes do grupo o ajudem a promover o “desenvolvimento econômico justo”. “O hiato entre norte e sul está aumentando e o protecionismo, se tornando mais forte”, disse.

(Com Estadão Conteúdo e Reuters)

Quer receber notícias do 6 Minutos direto no seu celular? Estamos no Telegram (t.me/seisminutos) e no WhatsApp (https://6minutos.uol.com.br/whatsapp).