O presidente francês Emmanuel Macron subiu o tom nesta sexta-feira (dia 23) e disse que a França vai se opor ao acordo de livre comércio entre União Europeia e Mercosul por causa da postura do presidente Jair Bolsonaro de não combater o aumento do desmatamento na Amazônia. A ameaça francesa foi endossada pela Irlanda, piorando a situação do Brasil. Esse é o mais novo capítulo da crise que opõe o governo brasileiro a uma parcela significativa do mundo desenvolvido, principalmente os países europeus.

Do seu lado, Bolsonaro vai falar em cadeia nacional de rádio e televisão às 20h30 desta sexta sobre as queimadas na Amazônia e a política ambiental do governo.

Qual o contexto da decisão da França? Macron critica o posicionamento do governo Bolsonaro de minimizar a relevância de temas ambientais e de negar os efeitos do aquecimento global. Nesta quinta-feira (22), quando a Nasa divulgou imagens de nuvens de fumaça na Amazônia, Macron e o secretário-geral da ONU, António Guterres, expressaram preocupação com a os incêndios florestais no país. Mas Bolsonaro não só não demonstrou preocupação como respondeu irritado ao que ele considera ser uma intromissão em assuntos brasileiros.

A preocupação é só com o meio ambiente? Não. Ainda que Macron seja uma das lideranças mundiais que mais prezam pela sustentabilidade, o agronegócio francês perde em competitividade para o brasileiro. Esse “risco” para a economia francesa foi, inclusive, um dos empecilhos para a conclusão do acordo Mercosul-União Europeia. Macron está usando uma prática protecionista comum, alegando repúdio aos incêndios na Amazônia, que são verídicos e graves, para adiar a ratificação do acordo e, assim, diminuir o estresse com a classe agropecuária francesa.

Os incêndios impactam o meu bolso? Sim. A ratificação do acordo entre Mercosul e União Europeia, que tem o potencial de elevar o PIB do Brasil em R$ 500 bilhões ao longo dos próximos 10 anos, pode ficar no limbo. A escalada do desmatamento e o descuido com assuntos ambientais pioram a imagem do Brasil no exterior, impactando negativamente eventuais negociações comerciais e levando a boicotes de produtos do país.

É importante citar que as mudanças na temperatura global e as metas do Acordo de Paris (para reduzir a emissão de gases de efeito estufa) também estão em pauta em todo o mundo e que um desvio de comportamento do Brasil se torna um prato cheio para governos que querem defender suas economias em desaceleração.

A União Europeia compra mais de US$ 5 bilhões por ano de soja brasileira, e o agronegócio teme a redução dessa demanda, já que o governo Bolsonaro assume uma postura de descaso com o meio ambiente.

A preocupação já é real? O governo da Finlândia, que acumula a presidência rotativa da União Europeia, pediu ao bloco econômico que avalie a possibilidade de vetar a compra carne bovina brasileira. Na quinta, o presidente da França, Emmanuel Macron, também atacou o governo brasileiro.

(Com Reuters e Estadão Conteúdo)

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