O presidente Jair Bolsonaro assinou, na tarde desta sexta-feira (23), um decreto de GLO (Garantia da Lei e da Ordem). A medida autoriza que as Forças Armadas atuem, entre 24 de agosto e 24 de setembro deste ano, para o combate a delitos ambientais e a incêndios florestais em Roraima.

O decreto de Bolsonaro prevê “ações preventivas e repressivas”. Os detalhes, de quantos militares e quais comandos serão acionados, serão definidos pelo ministro da Defesa, o general Fernando Azevedo e Silva. Às 20h30, o presidente falará em rede nacional de rádio e TV sobre as medidas e a posição do governo.

Homem tenta apagar foco de queimada na zona rural do município de Iranduda(AM), na tarde desta quinta(22); a cidade é uma das que estão em estado de emergência na região metropolitana de Manaus devido as queimadas e desmatamentos, outras cidades do sul do Amazonas também estão em estado de emergência.
Crédito: Edmar Barros/Estadão Conteúdo

Só em Roraima? O presidente também autoriza que a medida seja estendida para os demais estados da Amazônia Legal desde que seja feito um requerimento formal por parte do governador de cada estado. Roraima é governada por Antonio Denarium, filiado ao PSL de Bolsonaro.

Você pode me dar um pouco de contexto?

  • Há cerca de um mês, o Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) divulgou um levantamento que mostra um aumento de 40% no desmatamento na Amazônia nos primeiros meses de 2019 em comparação com o mesmo período de 2018. Os dados provocaram uma crise no governo – Bolsonaro chegou a classificá-los como falsos – que terminou com a saída do então diretor do Inpe Ricardo Galvão.
  • Uma onda de queimadas está ocorrendo na Amazônia. Segundo registro de câmeras da Nasa, a fumaça estaria chegando até a países vizinhos, como Bolívia e Peru.
  • Depois do Amazonas, o governador do Acre, Gladson Cameli (PP), também decretou estado de emergência em razão dos incêndios.
  • Países europeus estão pressionando o Brasil a adotar medidas sobre o assunto – a inércia pode provocar sanções comerciais às nossas exportações. França e Irlanda ameaçam bloquear o acordo comercial do Mercosul com a União Europeia, enquanto o governo da Finlândia, que ocupa a presidência temporária do bloco europeu, cogita vetar a compra de carne bovina brasileira.

O que os europeus têm a ver com isso? Diversos países da UE possuem legislações internas que impedem o negócio com países onde há descaso com a questão ambiental e a Amazônia é naturalmente visada, por ter um peso gigantesco na produção de oxigênio do mundo. Mas a preocupação não é só essa. Ainda que Macron seja uma das lideranças mundiais que mais prezam pela sustentabilidade, o agronegócio francês perde em competitividade para o brasileiro.

Esse “risco” para a economia francesa foi, inclusive, um dos empecilhos para a conclusão do acordo Mercosul-União Europeia. Macron está usando uma prática protecionista comum, alegando repúdio aos incêndios na Amazônia, que são verídicos e graves, para adiar a ratificação do acordo e, assim, diminuir o estresse com a classe agropecuária francesa.

Quer receber notícias do 6 Minutos direto no seu WhatsApp? É só entrar no grupo pelo link: https://6minutos.uol.com.br/whatsapp.