O aumento nas vendas online trouxe uma dose de otimismo para aqueles que esperam uma recuperação mais breve da economia no pós-pandemia. Mas a verdade é que o caminho de retomada será árduo e cheio de obstáculos. A queda no consumo deve ser da ordem de quase 10%, o que deve fazer com que os gastos das famílias brasileiras voltem para o mesmo nível de 2010.

Esse cenário é capaz de tirar o sono de muitas empresas, mas não parece ser uma preocupação para a OLX. A plataforma, que oferece produtos dos mais variados tipos (desde eletrônicos, roupas, até veículos), acredita que a crise abrirá uma oportunidade para os itens de segunda mão.

“Para quem está vendendo, a oportunidade é de renda extra. Para quem está comprando, a oportunidade é poder pagar menos para ter acesso a aquele produto. Assim como aconteceu na crise econômica de 2015 e 2016, a pandemia acelera a demanda por itens usados”, diz Joel Rennó Junior, diretor da OLX.

Se está bom para o novo, imagine para o usado

O desempenho excepcional de varejistas como o Magazine Luiza, Via Varejo e B2W na bolsa de valores reflete as boas perspectivas para as vendas online. O e-commerce deve ter em 2020 um crescimento que, em condições normais, só seria alcançado em três anos.

“O cenário é ainda melhor para quem tem um marketplace, com variedade de produtos”, lembra Rennó, da OLX. A diversidade de itens na plataforma de classificados é enorme, justamente por contar com produtos usados. Na prática, você pode encontrar desde um item que foi comprado há pouco tempo, mas que acabou ficando sem uso para o dono original, até produtos que deixaram de ser fabricados há anos e continuam tendo seu uso.

O número de compradores e vendedores da OLX subiu 20% desde o início da pandemia. Além disso, o executivo conta que os usuários antigos passaram a ser mais ativos, aumentando o número de buscas e ofertas na plataforma.

Mexa-se!

Além de ter promovido um aperto no bolso dos brasileiros, a pandemia gerou necessidades específicas. A quarentena aumentou o tempo de permanência em casa e diminuiu a oferta de serviços que eram feitos fora do lar. Um bom exemplo é a ida à academia ou a qualquer outro espaço de exercícios físicos — e jogue a primeira pedra quem não pensou em comprar um aparelho de ginástica para poder se exercitar durante o período de isolamento.

Na OLX, a busca por itens de esporte e lazer mais do que triplicou. “Antes da pandemia já existia uma tendência de adoção de hábitos mais saudáveis, mas percebemos que o isolamento fez com que as pessoas se esforçassem para permanecerem ativas”, conta o diretor da OLX.

O próprio executivo, aliás, é prova dessa tendência. Durante a entrevista em vídeo com a reportagem do 6 Minutos, Rennó exibiu a bicicleta ergométrica que havia comprado pela OLX para poder pedalar em casa. “Encontrei um cara que estava vendendo essa bicicleta novinha e que morava a apenas uma quadra de casa”, conta o executivo.

A casa ganhou protagonismo

Ficar em casa significa perceber o que é agradável e o que é incômodo no lar. Além disso, o desempenho mais frequente de tarefas domésticas faz com que alguns eletrodomésticos entrem na lista de desejo. Uma secadora, uma lavadora de louças ou até um aspirador de pó podem se transformar em itens de consumo, mas o dinheiro curto pode levar muita gente a buscar um produto de segunda mão.

A categoria chamada de “sua casa” pela OLX quase dobrou no volume de buscas desde o início da pandemia. A procura por lava-louças aumentou 122%, e a por centrífugas subiu 105%, de acordo com a plataforma. Além dos itens ligados às tarefas domésticas, há ainda a demanda por itens de lazer em casa: explodiu a busca por televisões (+191%) e aparelhos de som (+192%), por exemplo.

Oportunidades da pandemia

A lista de eletrodomésticos e eletrônicos mais procurados na plataforma revela um item curioso. Mais usuários passaram a querer comprar máquinas de costura, e a busca pelo item mais do que dobrou durante a quarentena. Como costurar não é exatamente um hobby para todos, a OLX buscou entender as razões para essa demanda curiosa.

“Muitas pessoas infelizmente perderam o emprego ou foram afastadas do trabalho. Por isso, costurar em casa passou a ser uma opção para fazer uma renda extra”, diz o executivo da empresa. A produção de máscaras de tecido, por exemplo, foi uma oportunidade de sobrevivência que surgiu ainda no começo da pandemia.

Na briga pela carteira digital

A OLX nasceu em 2006 na Argentina como uma plataforma de classificados, e preservou esse espírito como seu negócio principal. Enquanto concorrentes como o Mercado Livre e até mesmo o Enjoei enveredavam pelo mundo dos pagamentos on-line, oferecendo uma experiência completa de compra, a OLX seguiu sendo um intermediador de informações, e não de transações financeiras.

Parte disso se deve ao próprio perfil da plataforma. No Mercado Livre ou em outros marketplaces, uma boa parte do negócio vem de empresas que oferecem seus produtos novos para clientes de todo o Brasil. Por oferecer principalmente itens usados, a OLX acaba sendo o site de consumidores que estão fazendo vendas ocasionais, e não necessariamente dependem daquela renda para sobreviver mês a mês.

Fica até difícil imaginar como a OLX, sendo uma plataforma de classificados, consegue saber se aquele produto anunciado foi realmente vendido. “A forma mais assertiva é verificando se o anúncio foi deletado ou encerrado”, conta Rennó.

O problema é que a vereda dos pagamentos se mostrou uma mina de dinheiro para os marketplaces. Intermediar operações é bastante lucrativo, e traz uma grande vantagem de confiabilidade. Ao pagar e combinar a entrega na própria plataforma, o cliente sente-se mais seguro. O número de golpes diminui significativamente, o que cria uma relação de recorrência com os compradores.

A OLX embarcou com certo atraso no mundo da intermediação financeira e lançou recentemente sua carteira digital. A novidade a colocará na concorrência direta com o Mercado Pago, maior empresa de pagamentos digitais. Os compradores poderão escolher o produto, pagar e já determinar o envio pela própria plataforma da OLX. Inicialmente, a novidade está valendo para os compradores de Campinas, no interior de São Paulo, mas a ideia é expandir o serviço para o resto do Brasil.

O parceiro logístico de primeira hora são os Correios, mas Rennó conta que outras empresas, como Loggi e UberFlash, também devem ser conectadas à plataforma. No caso da Loggi, os primeiros testes já estão acontecendo.

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