A adoção de regras consideradas rigorosas para o uso de patinetes na cidade de São Paulo gerou protestos de empresas que alugam o equipamento. Para o prefeito paulistano, Bruno Covas, esse é um papel do Executivo, que busca assegurar que esse novo meio de transporte seja utilizado nas ruas de maneira organizada. “É um novo desafio para o poder público”, admite o político de 39 anos, que assumiu o cargo em abril de 2018, depois da renúncia de João Doria para concorrer ao governo do estado.

Na segunda parte de sua entrevista exclusiva ao 6 Minutos, o prefeito defende outro ponto polêmico de sua curta gestão: a decisão de criar um parque em cima do Minhocão, a via suspensa na capital paulista. “É importante lembrar que já existe uma lei, aprovada pela Câmara, que proíbe o seu uso viário a partir de 2024. A prefeitura tem que decidir entre demolir ou construir o parque”, afirma.

Por que a prefeitura decidiu fiscalizar o uso de patinetes?

É preciso dizer que se trata de um novo desafio para o poder público, porque cabe a ele regulamentar o uso do viário. A cidade de São Paulo estimula a chamada micromobilidade, que é a mobilidade da casa da pessoa até o transporte coletivo ou deste até o trabalho, mas é preciso que isso se dê de forma organizada. Nós criamos um grupo de trabalho para regulamentar esse tipo de atividade, mas, dada a demanda e a urgência, nós já baixamos regras provisórias que valem até que o estudo referido esteja concluído.

A prefeitura tem condições fiscalizar o uso de patinetes?

É muito fácil multar quem descumpre as regras com o patinete. Nós vamos multar as empresas que alugam os equipamentos, assim como fazemos com carros de locadoras de veículos. É muito mais difícil multar o ciclista porque o seu uso é difuso, em muitos casos, são bicicletas próprias, sem a propriedade definida. No caso das patinetes, a partir da edição do decreto, no início de maio, demos um prazo de 15 dias para fazer a orientação e a explicação das novas regras.

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O que o usuário do Ibirapuera pode esperar do parque sob nova administração? 

O usuário certamente terá um parque mais bem cuidado, com mais segurança e com mais serviços oferecidos. E são esses serviços que podem ser cobrados. É importante repetir que é proibida a cobrança para a entrada no parque, porque volta e meia se espalha pela internet a notícia falsa de que, a partir da concessão, o usuário terá que pagar R$ 5,15, R$ 7,30, com centavos para parecer mais verdadeiro. Mas vai haver restaurantes, por exemplo, nas áreas previstas no plano diretor do parque.

Uma das razões para fazer a concessão de parques é a escassez de recursos para a manutenção. Dentro desse contexto, faz sentido destinar R$ 38 milhões de reais para a criação do Parque Minhocão?

Repassar a manutenção de parques já existentes para o setor privado é justamente o que permite à prefeitura a criação de parques na cidade. No caso do Parque Minhocão, é importante lembrar que já existe uma lei, aprovada pela Câmara, que proíbe o seu uso viário a partir de 2024. A prefeitura tem que decidir entre demolir ou construir o parque.

O que falta para que o parque se torne realidade? 

Estamos aguardando os estudos finais da CET para saber quais são as intervenções necessárias no sistema viário para que implementar o parque no primeiro trecho do Minhocão, que vai do seu início (na rua da Consolação) até o Largo da Santa Cecília. E aí o prefeito que entrar em 2021 pode decidir o que fazer no segundo trecho, que vai da avenida São João até a Barra Funda. Eu entendo que o resultado será tão positivo que o prefeito vai querer prolongar o parque em toda a sua extensão.

Alguns urbanistas defendem a demolição do Minhocão.

Se vocês encontrarem um tema sobre o qual todos os urbanistas concordem, por favor, tragam para a prefeitura.

O senhor pensou em passar o Minhocão para o setor privado?

É difícil de fazer porque existem os gastos de manutenção e não se pode cobrar entrada no elevado. Não se pode construir em cima dele. O que pode ser feito é a construção embaixo, mas a exploração não precisa envolver a manutenção. Pensamos em avançar na concessão dos espaços embaixo do Minhocão antes que o parque esteja pronto. Lojas podem ser instaladas ali. A nossa proposta é fazer a exploração econômica dos espaços que ficam embaixo dos viadutos na cidade de São Paulo.

 

 

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