Quem nunca fez uma compra para provar alguma coisa para os outros ou para si mesmo? Ou comprou um docinho ao final de um dia estressante porque “mereceu”? As compras por impulso são recorrentes na vida de muitas pessoas.  Especialistas ouvidos pelo 6 Minutos dão dicas para evitar este tipo de comportamento neste final de ano.

A fundadora da consultoria InBehavior Lab, Flávia Ávila, afirma que existem uma série de gatilhos que fazem com que o consumidor seja “pego desprevenido”, como ofertas que têm prazo para acabar. Para ela, as compras por impulso podem ser mais frequentes agora, já que muitos chegaram ao mês de dezembro mais estressados e com esgotamento mental maior do que o normal.

“Eu acredito que a compra vem muito dos atalhos mentais e fatores inconscientes do que da emoção.
Como foi sua experiência de compra daquele produto, serviço? Na hora em que você vê, quando está angustiado, aquilo te associa a um sentimento de quentinho no coração. Você quer reviver aquela experiência”, afirma Ávila.

Não quero mais comprar por impulso, e agora?

Crie empecilhos: Ávila diz que o primeiro passo é aceitar que as falhas vão acontecer. Depois disso, o foco é criar estratégias que dificultem as compras e façam com que o consumidor pare para pensar antes de finalizar o pedido.

“Vários estudos mostram que educação financeira não traz resultado [para evitar as compras impulsivas]. O que funciona é, tendo noção de que você é falível, amarre suas mãos quando a tentação vier”, afirma Ávila. Veja alguns exemplos de empecilhos:

  • Deixe um aviso em um local visível de que você não precisa comprar nada;
  • Crie metas pessoais e fale em voz alta. Se você compra muitos livros por mês, por exemplo, diga a um membro da família qual a meta mensal de compras. Ao falar em voz alta, aumentam as chances de a pessoa cumprir o que se propôs;
  • Aceite que você vai falhar e entenda o que fazer para evitar;
  • Descadastre os cartões de crédito em sites e aplicativos de compras.

Evite frequentar lojas e shoppings quando não quer comprar nada: O professor de psicologia da PUC-SP e terapeuta comportamental Emerson da Costa Leite afirma que evitar estabelecimentos comerciais quando não há intenção de comprar é uma alternativa. Além de evitar aglomerações, medida necessária para conter a transmissão do coronavírus, impede que o consumidor faça uma compra que não havia se planejado.

O mesmo vale para lojas online: evite acessar sites apenas para checar quais os produtos disponíveis. “Passear pela internet pode ser uma armadilha para quem não esperava fazer compras naquele momento”, afirma Leite.

Faça uma lista de compras: O coordenador do MBA de Gestão Financeira da FGV (Fundação Getulio Vargas), Ricardo Teixeira, diz que é preciso fazer uma lista com os nomes das pessoas que vão ser presenteadas e qual o valor disponível para cada um deles.

Ao final, some todos os valores. Se o montante for maior que o orçamento, revise a lista. Além do saldo em conta, o orçamento deve levar em consideração os compromissos financeiros do começo do ano, como o IPVA e a matrícula escolar. Ao parcelar uma compra, é importante ter certeza que outros pagamentos não serão comprometidos por causa dos presentes.

De acordo com pesquisa do SPC Brasil (Serviço de Proteção ao Crédito) e da CNDL (Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas), dois em cada dez brasileiros (23%) admitem gastar mais do que podem com presentes de Natal e o percentual é ainda mais alto para as pessoas de classes C e D, chegando a 27%.

Como reduzir os gastos com presentes?

Teixeira lembra que, originalmente, o sentido das festas de final de ano é comemorar com os entes queridos e que o presente não deveria ser considerado necessário – mas se tornou um hábito dos brasileiros. Quem decidir presentear, pode seguir estas dicas para economizar:

  • Procure promoções e lojas com preços mais baratos;
  • Faça compras em locais da cidade que são conhecidos por terem os melhores preços;
  • Faça pesquisas de preço em diferentes lojas;
  • Negocie com o presenteado, principalmente crianças. Normalmente os pequenos optam por itens específicos, que podem ser mais caros. Explique a situação e proponha outro presente para a data;
  • Reveja a lista de presenteados. Teixeira diz que “esse é o ano para a gente presentear as pessoas queridas, mas no limite do necessário. Estamos falando de pessoas apertadas e, para elas, é justificável que presenteiem somente quem podem e com valores conservadores”.

Para Leite, uma boa saída é apostar em experiências, principalmente em 2020, que muitas famílias vão comemorar à distância. Algumas opções são uma chamada de vídeo mais longa para relembrar histórias passadas ou atividades em grupo que podem ser feitas online.

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