O PIB (Produto Interno Bruto) recuou 0,1% no terceiro trimestre do ano, mostrando que a estagnação econômica já é uma realidade no Brasil. Com o dado de hoje, o país entra em recessão técnica, fenômeno que acontece quando a economia encolhe por dois trimestres consecutivos.

Para o economista Alexandre Schwarstman, ex-diretor de Assuntos Internacionais do BC (Banco Central) e que hoje comanda a consultoria Schwartsman & Associados, o país não vai crescer enquanto não houver uma mudança política. Ao ser perguntado quando a economia começaria a crescer, a resposta foi “nunca”.

“O país não deve crescer de forma importante com as perspectivas políticas que temos. Nenhuma das forças políticas que hoje parecem ter alguma possibilidade de se eleger demonstram ter qualquer compromisso com as medidas que vão reativar o dinamismo do país. Eu estou profundamente pessimista”, afirma Schwartsman.

O ex-diretor do BC diz que o resultado do terceiro trimestre veio em linha com o que se esperava – algumas casas projetavam leve alta, outras leve queda. “Ninguém esperava muita coisa do PIB. Acho que nesse aspecto, a surpresa ruim foi revisão do PIB anterior, que passou de queda de 0,1% para 0,4%”, afirma.

Em todas as divulgações, o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) faz correções nos dados já divulgados. Hoje, apontou a mudança no PIB do trimestre anterior e no resultado acumulado de 2020, que passou de queda de 4,1% para 3,9%.

Para Schwartsman, os dados reforçam a perspectiva de estagnação econômica. “No conjunto da obra, a economia não parece estar indo longe. Vemos o consumo de lado, investimento de lado. Isso reflete o clima de incerteza que estamos vivendo”, diz.

O que esperar daqui para frente? No acumulado do ano até setembro, o PIB avançou 5,7% em comparação ao mesmo período do ano passado.

Para Schwartsman, a economia deve fechar o ano com uma alta um pouco abaixo de 5%, impulsionado pelo elevado carrego estatístico para 2021 (4,9%), que é uma espécie de impulso deixado do último trimestre de um ano para o outro.

Já em 2022, a situação deve ser bem diferente. “Provavelmente veremos número perto de zero, mais para negativo. Vai ser difícil o PIB crescer, já que o carrego para o ano que vem está em cerca de 0,1%. Dá uma pista, mostra que já temos um obstáculo para registrar crescimento mais forte”, afirma.

O aumento da taxa de juros também deve se refletir no PIB do próximo ano. Isso porque os aumentos demoram, pelo menos, seis meses para serem sentidos na economia. O endurecimento da política monetária adotado pelo BC tem como objetivo controlar a inflação, mais forte e duradoura do que se esperava.

No entanto, o aumento da Selic é um remédio amargo para a economia, porque, se de um lado controla a inflação, do outro reduz a atividade econômica, impactando diretamente o PIB.

Com o dado de hoje, o PIB brasileiro ocupa o 26º lugar dentro de um ranking mundial quando comparado ao desempenho do PIB de outros países no período, segundo levantamento da Austing Rating.

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