De olho na inflação cada vez maior, o Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central) elevou a taxa básica de juros, a Selic, em 1 ponto percentual, para 6,25% ao ano, nesta quarta-feira (dia 22).

Até a semana passada, o mercado esperava uma alta maior, de 1,25 ou 1,5 ponto percentual. Mas a declaração do presidente do BC, Roberto Campos Neto, de que não vai mudar o “plano de voo” da autoridade monetária a cada novo indicador inflacionário, esfriou essas expectativas.

“O mercado esperava o aumento de 1 ponto percentual. Provavelmente o Copom está apostando em um aumento gradual dos juros para ir sentido a economia, porque o desemprego ainda está muito alto e a atividade econômica baixa. Apesar de ter que cumprir a meta de inflação, está optando em fazer uma alta gradual dos juros para não frear a atividade econômica”, afirma Henrique Zimmermann, sócio e head Nordeste da VLG Investimentos.

O que motivou a decisão? Segundo o BC, a inflação do consumidor segue elevada em diversos setores. O Copom citou as pressões nos preços dos bens industriais, nos serviços e em itens básicos, como alimentação, combustíveis e energia elétrica.

Apesar disso, considera que os dados do PIB (Produto Interno Bruto) têm mostrado evolução positiva e não pede uma mudança relevante no plano de voo do BC. Outros pontos que estão no radar da autoridade monetária são a variante delta e o aperto monetário em economias emergentes.

O objetivo do Banco Central é controlar a variação de preços. Semana a semana, os analistas ouvidos pelo Boletim Focus elevam suas projeções para o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo). Agora, o mercado já projeta uma inflação de 8,35% no final do ano (contra 8% há uma semana) e de 4,10% em 2022.

Ao mesmo tempo, a expectativa de alta do PIB (Produto Interno Bruto) em 2022 foi reduzida de 1,72% para 1,63%. A projeção para o dólar se manteve em R$ 5,20 para este ano e foi elevada a R$ 5,23 para o próximo ano.

O que esperar para a próxima reunião? O Copom sinalizou que deve manter o ritmo de alta em 1 ponto percentual em outubro, mas que pode ajustar os próximos passos para garantir o cumprimento da meta de inflação.

“O Copom considera que, no atual estágio do ciclo de elevação de juros, esse ritmo de ajuste é o mais adequado para garantir a convergência da inflação para a meta no horizonte relevante e, simultaneamente, permitir que o Comitê obtenha mais informações sobre o estado da economia e o grau de persistência dos choques”, afirma em nota.

Para João Beck, economista e sócio da BRA Investimentos, esse foi um dos destaques do comunicado. “É o reconhecimento do Banco Central de que achou a nova velocidade de aperto, ou seja, de aumento da taxa de juros. Esse aumento de 1 ponto percentual é a velocidade adequada para todo balanço de risco atual”, avalia.

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