Por Maria Carolina Marcello

BRASÍLIA (Reuters) – A CPI da Covid no Senado quer dedicar seu último dia de depoimentos, na próxima segunda-feira, para ouvir Nelson Mussolini, representante do Conselho Nacional de Saúde (CNS) na Conitec, órgão do Ministério da Saúde responsável por assessorar a pasta no processo de incorporação e exclusão de medicamentos no âmbito do SUS.

Senadores querem avaliar se ocorre ou ocorreu algum tipo de ingerência na Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec). A comissão iria se reunir no dia 7 de outubro para avaliar um relatório com diretrizes para o tratamento ambulatorial de pacientes com Covid-19, que descarta o uso de medicamentos já comprovadamente ineficazes contra a doença. Mas a análise foi adiada.

“Quando da votação, o senhor Nelson Mussolini se manifestou

contrariamente ao adiamento”, argumenta o requerimento de convocação do representante do CNS.

Segundo o vice-presidente da CPI e autor do requerimento, Randolfe Rodrigues (Rede-AP), Mussolini foi convocado justamente para esclarecer se há interferência no órgão.

“Queremos saber até onde vai ou até onde foi a intervenção política nas decisões dessa instituição técnica, dessa instância técnica, relativo aos protocolos de enfrentamento da pandemia”, disse o senador.

Dessa forma, não deve mais ser ouvido na segunda-feira o pneumologista Carlos Carvalho, médico responsável pela elaboração de protocolo de tratamento com remédios eficazes contra a Covid-19 a ser levado à Conitec. O médico negou que a reunião tenha sido adiada por ingerência.

Randolfe também disse que à tarde deve ocorrer um ato com representantes das mais de 600 mil vítimas da doença e, ainda à tarde o relator da CPI, Renan Calheiros (MDB-AL), deve fazer uma exposição de seu parecer aos integrantes do colegiado.

A previsão é que esse relatório seja formalmente lido na CPI na terça-feira pela manhã e votado na quarta-feira. Já na quinta-feira, será levado ao procurador-geral da República (PGR), Augusto Aras.

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