Não é preciso ficar com medo de consumir ou manusear embalagens de frango, segundo 0 infectologista Pedro Mendes, do Hospital Samaritano. Um eventual temor desse tipo pode vir à tona depois da China informar que uma amostra de asas de frango congelada importada do Brasil testou positivo para coronavírus.

A ABPA (Associação Brasileira de Proteína Animal), que representa os frigoríficos, disse em nota que os traços de coronavírus encontrados na China estavam na embalagem do produto.

Em nota, o presidente da Acav (Associação Catarinense de Avicultura), José Antônio Ribas Júnior, afirmou que “as evidências científicas demonstram que inexiste a possibilidade de contaminação em produtos de origem alimentícia, em especial nas proteínas animais”.

Por isso, segundo ele, a associação e as autoridades brasileiras estão em contato com a China para ter informações mais precisas “quanto às alegações trazidas”.

Na mesma nota, Ribas afirma que a OMS (Organização Mundial da Saúde) reportou recentemente a impossibilidade de contaminação de produtos alimentícios por covid-19, “o que dá a segurança necessária para reafirmar a qualidade do produto brasileiro”.

Existe risco?

“De modo geral, os vírus se conservam no frio e são inativados no calor. Portanto, é possível que o vírus permaneça viável se congelado. No entanto, o risco de se infectar ao manusear um frango ou outro alimento é muito baixo”, afirma o infectologista Pedro Mendes Lages, do Hospital Samaritano e da Beneficência Portuguesa de São Paulo.

Não existe, segundo ele, motivo para pânico ou para evitar o consumo de frango. “Para que ocorra infecção, é necessário que uma quantidade suficiente de partículas virais seja levada até as mucosas (olhos, boca). O que é muito difícil de ocorrer. Normalmente não se detecta grande quantidade de vírus em objetos depois de muito tempo da contaminação”, afirma o especialista.

“Também é importante entender que o exame PCR detecta fragmentos do vírus e não necessariamente um vírus viável. Para saber se aquele vírus é viável, é preciso fazer uma cultura de vírus”, explica o médico.

O que a China diz?

Em análises de rotina realizadas sobre carnes e frutos do mar importados desde junho, as autoridades chinesas detectaram o vírus no produto brasileiro. Funcionários e outros produtos que entraram em contato com a amostra foram testados, mas todos deram negativo.

De acordo com o número de registro informado no comunicado da prefeitura de Shenzhen, o lote seria do frigorífico Aurora, de Santa Catarina. A reportagem entrou em contato com a assessoria de imprensa da Aurora, que não se pronunciou até o momento.

E o governo brasileiro?

O Ministério da Agricultura informou que “até o momento não foi notificado oficialmente pelas autoridades chinesas sobre a ocorrência”.

Como estão nossas exportações?

As exportações de carne de frango do Brasil tiveram alta de 1,7% no primeiro semestre de 2020 em comparação com os mesmos meses de 2019, atingindo 2,11 milhões de toneladas, de acordo com dados da ABPA.

Em julho, a Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) divulgou um documento no qual prevê que a produção de frangos brasileira pode passar de 13,4 milhões de toneladas (em 2018) para 17,3 milhões de toneladas em 2029. A região Sul (Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná) é responsável por 62% do total; Sudeste (São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Espírito Santo) por 18% e Centro-Oeste com 14%.

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