Como esperado pelo mercado, o Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central) decidiu manter, por unanimidade, a taxa de juros básica da economia, a Selic, em 2% ao ano.

Na reunião anterior, em 16 de setembro, o BC já havia interrompido uma sequência de nove cortes consecutivos, em um cenário de expectativa de alta de inflação, ainda que a variação de preços esteja dentro da meta, e de incertezas fiscais.

Só há mais uma reunião do comitê neste ano, que acontecerá entre os dias 7 e 8 de dezembro.

Risco fiscal

No comunicado, a autoridade monetária fala em “risco fiscal elevado”.

“O prolongamento das políticas fiscais de resposta à pandemia que piorem a trajetória fiscal do país, ou frustrações em relação à continuidade das reformas, podem elevar os prêmios de risco. O risco fiscal elevado segue criando uma assimetria altista no balanço de riscos, ou seja, com trajetórias para a inflação acima do projetado no horizonte relevante para a política monetária”.

Apesar disso, o comitê afirmou que considera que a atual taxa de juros está em nível adequado.

“O Copom entende que a conjuntura econômica continua a prescrever estímulo monetário extraordinariamente elevado, mas reconhece que, devido a questões prudenciais e de estabilidade financeira, o espaço remanescente para utilização da política monetária, se houver, deve ser pequeno.”

A projeção atual do mercado para o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) é de uma alta de 2,99% em 2020 –há quatro semanas, a a aposta era de crescimento bem menor, de 2,05%, segundo dados da pesquisa Focus, do BC. A meta para este ano é de 4%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo.

Para 2021, a expectativa já é de uma inflação de 3,10%, contra 3,01% há um mês –o objetivo para o ano que vem é de um IPCA de 3,75%.

A expectativa para a inflação vem subindo por causa da alta nos alimentos –a forte demanda da China por commodities fez as exportações de produtos como soja e arroz crescerem com força, o que aumentou os preços no mercado interno.

Apesar das projeções do mercado apontarem para uma inflação abaixo da meta tanto em 2020 como em 2021, as incertezas fiscais impedem uma redução maior dos juros. Pairam dúvidas sobre o que acontecerá com o auxílio emergencial e o novo programa social do governo, o Renda Cidadã, a partir do ano que vem.

 

 

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