O Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central) decidiu elevar a taxa básica de juros em 1 ponto percentual, passando de 4,25% para 5,25% ao ano, em linha com as expectativas do mercado.

Na ata da reunião passada, o Copom havia sinalizado que deveria manter o ritmo de altas em 0,75 ponto percentual, mas que não descartava a possibilidade de tomar medidas mais agressivas se as pressões inflacionárias aumentassem.

O comitê se reúne mais três vezes neste ano e o mercado espera que a Selic feche em pelo menos 7% ao ano.

“A decisão veio dentro do esperado pelo mercado, já que os últimos dados de inflação têm incomodado bastante, vindo acima do que se imaginava. Isso está forçando o BC a acelerar a alta de juros”, afirma Leonardo Milane, sócio e economistas da VLG Investimentos.

O que motivou a decisão do Copom? Segundo o BC, o aumento de 1 ponto percentual é justificado pelo avanço da variante delta da covid, que coloca em risco a recuperação da economia global, e a “persistência da inflação” aos consumidores. A decisão foi unânime.

Segundo o Copom, destacam-se a inflação de serviços e a continuidade da pressão sobre bens industriais, além da possível elevação do adicional da bandeira tarifária e os novos aumentos nos preços de alimentos. “Em conjunto, esses fatores acarretam revisão significativa das projeções de curto prazo”, afirma a nota.

Até a última reunião, o colegiado havia decidido aumentar a taxa para um patamar neutro, ou seja, que nem estimula nem restringe a economia. Na reunião de hoje, o Copom mudou a postura e afirmou ser apropriado adotar “um ciclo de elevação da taxa de juros para patamar acima do neutro”.

“A ênfase no comunicado de que o momento requer um nível de taxa de juro acima da neutra, ou seja, mais restritiva, demonstra o comprometimento do Banco Central com o centro da meta no ano que vem”, afirma Alexandre Espirito Santo, economista-chefe da Órama.

“O Brasil é conhecido historicamente por indexação na inflação, o que a torna estrutural no país. Por isso, o Banco Central precisa ser mais duro para garantir a ancoragem das expectativas inflacionárias”, afirma Thomás Gibertoni, analista da Portofino Multi Family Office.

Histórico da Selic

Em janeiro, a Selic estava em 2% ao ano, menor patamar histórico. Desde então, o BC começou a elevar a taxa para conter as pressões inflacionárias do país.

O Copom sinalizou que deve manter o ritmo de alta em 1 ponto percentual para a próxima reunião, que acontecerá em setembro.

“O mercado teme que a inflação não seja transitória e sim mais recorrente e que isso traga uma alta significativa de preços em serviços e consumo. É importante destacar que, se o BC não continuar subindo os juros, a inflação pode virar mais permanente, o que não é bom para a economia brasileira”, afirma Jansen Costa, sócio da Factorial Investimentos.

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