Por Marta Nogueira

RIO DE JANEIRO (Reuters) – A Copagaz, maior comercializadora de gás de cozinha no Brasil, fechou um acordo histórico para a importação de 7,6 mil toneladas do insumo da Argentina, tornando-se a primeira empresa privada a trazer um navio de Gás Liquefeito de Petróleo (GLP) ao país, disse à Reuters o vice-presidente de operações.

O movimento marca um importante passo na estratégia da empresa que busca diversificar seus supridores além da Petrobras, ao mesmo tempo em que deseja reduzir sua dependência do produto doméstico, diante de preocupações de que os futuros novos donos de unidades de refino não priorizem o GLP –a petroleira estatatal planeja vender oito refinarias.

A Copagaz se tornou líder absoluta do segmento de GLP após comprar no ano passado a Liquigás, em consórcio com a Itaúsa e a Nacional Gás Butano. Com a aquisição junto à Petrobras, a empresa tem hoje operações em 24 Estados e no Distrito Federal, e cerca de 90 mil colaboradores diretos e indiretos.

Em entrevista, Agnaldo Inojosa explicou que o contrato spot, assinado com a Transportadora de Gas del Sur (TGS) em dezembro, prevê a entrega de três cargas de GLP, em 8 e 15 de abril e 1º de maio, no Terminal de Gás do Sul (Tergasul), em Canoas, no Rio Grande do Sul. O primeiro navio já saiu da Argentina.

“Será o primeiro navio privado nacionalizado de GLP no Brasil fora do Sistema Petrobras”, disse Inojosa, explicando que historicamente todos os navios que importaram o produto foram negociados pela petroleira.

“A primeira empresa privada a trazer um navio de GLP é a Copagaz.”

A finalidade, destacou o executivo, será complementar o abastecimento da região Sul do Brasil, deficitária no insumo. O contrato prevê, ainda, a possibilidade de prorrogação até o fim deste ano.

A região Sul teve um consumo de GLP em 2020 de 870 mil toneladas, segundo dados da Copagaz compilados da reguladora ANP. Desse volume, 80% foi atendido por oferta regional e os 20% restantes precisaram ser trazidos de refinarias da região Sudeste.

O negócio com a TGS, segundo Inojosa, foi possível a partir da conclusão em dezembro passado da compra da Liquigás, que tem acesso ao Tergasul.

Uma vez que o produto veio de um país do Mercosul, a transação contou com isenção de tributos. Além disso, a proximidade entre as nações possibilitará que o transporte seja feito em apenas dois dias, segundo a empresa.

Inojosa pontuou que é preciso vencer gargalos logísticos para importar GLP no país, em um mercado historicamente dominado pela Petrobras. No entanto, ressaltou que as dificuldades não a impediram de já trabalhar nisso anteriormente.

Em 2019, antes de comprar a Liquigás, a Copagaz já havia sido a primeira privada a importar GLP da Bolívia, por caminhões, com um contrato de 72 mil toneladas por ano com a YPFB, a fim de abastecer a região Centro-Oeste.

Considerando volumes do gás importado por navio da Argentina e por caminhões da Bolívia, as compras externas previstas pela Copagaz representam atualmente 1% do consumo nacional e aproximadamente 5% das vendas da Copagaz e Liquigás no país, segundo o executivo.

Mas a empresa –que detém hoje 25% de participação de mercado no GLP– não vai parar por aí.

Inojosa ressaltou que a meta da Copagaz é contratar importações que representem 10% de suas vendas anuais até o fim de 2021, além de buscar ainda mais volumes no exterior nos anos seguintes.

INVESTIMENTOS E MAIS INDEPENDÊNCIA

Para aumentar as importações, a Copagaz planeja realizar investimentos em infraestrutura ao longo da costa brasileira, podendo adquirir terminais no Sul e no Nordeste. A estratégia para esse fim ainda está em elaboração.

“Nosso foco é como conseguir nos manter competitivos independentemente de quem vencer as refinarias à venda pela Petrobras”, disse Inojosa.

A petroleira estatal colocou à venda oito refinarias, que representam metade da capacidade de refino do Brasil, como parte de um plano no governo federal para quebrar o monopólio no setor.

“Só assistir esse ‘game’ pode ser perigoso”, ponderou Inojosa, pontuando uma preocupação relacionada com os preços que poderão ser praticados por eventuais vencedores das refinarias, que estão bem distantes umas das outras, com cada uma delas dominando as regiões onde atua.

O executivo também se preocupa com decisões estratégicas a serem tomadas pelos novos donos das refinarias, uma vez que o GLP é um subproduto e eventualmente pode deixar de ser produzido em alguma unidade por não trazer retorno financeiro.

“A gente quer trazer molécula de fora para ter competitividade… e precisamos ter garantia de suprimento.”

(Por Marta Nogueira)

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