Por Marcelo Teixeira

NOVA YORK (Reuters) – Os comerciantes de alimentos estão mudando de contêineres para navios graneleiros para transportar açúcar refinado e arroz, na esperança de evitar atrasos nos embarques causados pela escassez de contêineres e congestionamentos portuários, que a indústria está chamando de “containergeddon”, de acordo com comerciantes.

O transporte de contêineres foi atingido por custos e atrasos em meio à crescente demanda de embarques, enquanto os terminais de contêineres nos portos encontram dificuldade para lidar com o fluxo.

No passado, commodities como açúcar refinado, café, arroz, algodão e cacau passaram dos porões dos navios para contêineres, pois as grandes caixas eram mais práticas e ofereciam um bom controle de qualidade. Mas agora os carregadores estão retomando a estratégia anterior, pelo menos temporariamente.

“Cerca de 80% do comércio de açúcar refinado era feito em contêineres antes da pandemia. Agora caiu para cerca de 60%”, disse Paulo Roberto de Souza, presidente-executivo da Alvean Sugar SL, maior trading de açúcar do mundo.

Segundo Souza, a mudança só não é maior porque não há muitos navios de pequeno porte disponíveis no mercado.

Dados da agência marítima Williams sobre movimentação portuária no Brasil, maior exportador mundial de açúcar, mostram que o volume de açúcar refinado transportado em contêineres caiu 48% em junho e julho (último dado disponível) em relação ao ano anterior.

Bob Cymbala, proprietário da trader de alimentos A&J Global USA, com sede em Vancouver, disse que alguns clientes estão recusando ofertas devido aos altos preços do frete em contêineres, procurando alternativas de envio.

Os exportadores de café ainda não cogitam a troca, principalmente por preocupações com a qualidade. Eles dizem que os contêineres preservam melhor as características do café, como aroma e sabor.

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