Qual o tamanho do impacto negativo da pandemia do coronavírus e das medidas de contenção sobre o brasileiro? A tradicional Sondagem do Consumidor realizada pela FGV (Fundação Getulio Vargas) divulgada nesta terça-feira (dia 24) ajudou a dar uma dimensão a esse fenômeno que está só começando.

“Num cenário econômico mais difícil nos próximos meses, consumidores também preveem redução da oferta de empregos e uma piora da situação financeira das famílias”, apontou a FGV em nota. Isso se traduz na redução da disposição para o consumo nos próximos meses, o que vai deprimir ainda mais a economia.

Quais os resultados? O Índice de Confiança do Consumidor (ICC) alcançou 80,2 pontos, o menor patamar desde janeiro de 2017. A confiança do consumidor recuou 7,6 pontos em março em relação a fevereiro.

Em março, houve deterioração tanto nas avaliações sobre o presente quanto nas expectativas para os próximos meses. O Índice de Situação Atual diminuiu 4,8 pontos, para 76,1 pontos. Já o Índice de Expectativas caiu 9,3 pontos, para 83,9 pontos, o menor patamar desde dezembro de 2016.

O que diz a FGV? “A queda na confiança dos consumidores, que já vinha ocorrendo nos dois meses anteriores, aprofundou-se em março, sob influência da pandemia de coronavírus”, avaliou Viviane Seda Bittencourt, coordenadora das Sondagens do Instituto Brasileiro de Economia da FGV (Ibre/FGV).

“Apesar de dois terços da coleta de dados para esta edição ter ocorrido antes das medidas de restrição, já é possível notar um impacto expressivo nas expectativas”, completou Viviane.

Que cidades ou estados estão mais pessimistas? “O Rio de Janeiro foi a capital que registrou a maior queda na confiança, enquanto os paulistas já perceberam a piora da situação atual, possivelmente em função do maior número de casos e por seu imenso parque fabril “, afirmou a coordenadora das sondagens.

E por faixas de renda, qual o desempenho? Houve piora na confiança entre os consumidores de todas as classes de renda, puxada pelo aumento do pessimismo em relação à situação econômica nos próximos meses. A exceção (para a causa) ficou com as famílias de menor poder aquisitivo, que recebem até R$ 2,1 mil mensais e cuja queda de confiança foi influenciada pela redução forte na intenção de compras (-9,9 pontos).

“Há deterioração das expectativas em relação a situação financeira familiar e ao emprego, principalmente para os consumidores com renda familiar entre R$ 2,1 mil e R$ 4,8 mil. O impacto afeta diretamente sua propensão a consumir e suas perspectivas de obter emprego nos próximos meses”, afirmou Viviane.

(Com Estadão Conteúdo)

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