A concentração dos empréstimos feitos no Brasil nas mãos dos cinco maiores grandes bancos do Brasil (Itaú, Bradesco, Banco do Brasil, Caixa e Santander) vem caindo ao longo dos últimos cinco anos, mas ainda é elevada: essas instituições financeiras responderam em 2020 por 81,8% do crédito no país.

Em dezembro de 2019, esse percentual era de 83,7%, e em dezembro de 2018, de 84,8%, de acordo com dados divulgados pelo Banco Central nesta segunda-feira (dia 7) no Relatório de Economia Bancária.

“Os dados mostram que vem ocorrendo uma queda paulatina da concentração”, afirmou João Manoel Pinho de Mello, diretor de Organização do Sistema Financeiro e Resolução do BC. “Há um movimento de aumento da concorrência acontecendo de forma gradual no sistema financeiro”.

Rentabilidade do setor caiu com a pandemia

O relatório do BC mostrou ainda que a pandemia de coronavírus forçou as instituições financeiras a elevarem suas provisões para devedores duvidosos, o que interrompeu a melhoria na rentabilidade do setor.

Em dezembro do ano passado, o ROE (retorno sobre o patrimônio líquido) do sistema financeiro foi de 11,5%, o menor da série histórica do Banco Central. e 2020, o retorno sobre o patrimônio líquido do sistema foi de 11,5%, o menor da série histórica do BC.

A avaliação da autoridade monetária é que a queda no retorno foi generalizada, afetando bancos de grande e pequeno porte, de diferentes segmentos de atuação. A perspectiva é que haverá melhoria desses números neste ano.

“O reforço de provisões realizado em 2020 reduz a necessidade de novas provisões em montantes relevantes e a retomada da atividade econômica contribui para o crescimento e a qualidade do crédito, além de favorecer a demanda por serviços bancários”, afirmou o BC na publicação.

Portabilidade ainda engatinha

Apesar da queda significativa dos juros cobradas nos financiamentos imobiliários, e da disparada nos pedidos de portabilidade no ano passado, um estudo publicado no relatório mostrou ainda há 493 mil tomadores (o equivalente a R$ 63 bilhões em empréstimos) pagando taxas de mais de 10% ao ano.

Em 2019, eram 570 mil famílias com empréstimos nessas condições. A autoridade monetária lembrou que essas operações podem ser portadas para outro banco ou renegociadas e pagar uma taxa média de 7% ao ano.

 

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