A pandemia do coronavírus e suas terríveis consequências para a economia vão afundar as vendas do setor varejista em 2020. A estimativa da FecomercioSP (Federação do Comércio do Estado de São Paulo) é que o faturamento continuará em queda mesmo depois da permissão para reabertura de todas as lojas.

Como consequência, o setor já dá como praticamente perdidas as vendas do Dia das Mães e Natal, as duas principais datas para o comércio.

Por que essa previsão tão negativa? Altamiro Carvalho, assessor econômico da FecomercioSP, diz que o varejo encontrará na reabertura de suas operações uma situação muito diferente do que a verificada nos meses de janeiro e fevereiro.

“O setor vinha em um ritmo de 34 meses de retomada depois da crise de 2015/2016 e, de repente, foi obrigado a enfrentar todo tipo de restrição. O varejo pós-pandemia encontrará um cenário diferente, com inevitável aumento do desemprego e redução de renda provocada pelas medidas de diminuição de salários e suspensão de contratos de trabalho.”

Quanto tempo vai demorar para as coisas voltarem ao cenário pré-pandemia? Segundo Altamiro, os reflexos dessa crise irão perdurar por um longo tempo, pelo menos até o fim de 2020. “O país vai enfrentar um problema fiscal muito sério, o que exigirá medidas de ajuste. O desemprego elevado também exigirá esforços em outras frentes. Haverá menos crédito.”

Mas a iminente liberação para abertura do comércio não vai melhorar esse quadro? O economista diz que não. “A abertura não trará um retorno rápido do consumo. Duas das principais datas do comércio estão comprometidas: o Dia das Mães e o Natal.”

Não é muito cedo para prever um Natal perdido? Altamiro diz que as vendas de Natal são puxadas pelo pagamento do 13º salário, que neste ano deve ser imensamente menor que o de 2019. “Com mais pessoas desempregadas, haverá menos dinheiro disponível para o consumo.”

Mas a reabertura do comércio trará algum alívio? Segundo o economista, muitas lojas não vão sobreviver a 50 dias de portas fechadas. “A retomada se dará com estrutura varejista menor, muitas não reabrirão. Na crise de 2016, o comércio perdeu 100.500 lojas, sendo que 98.500 eram pequenas e microempresas.”

O e-commerce será a tábua de salvação? Altamiro diz que muitas empresas recorreram ao e-commerce, mas a participação desse canal ainda é muito pequena: não passa de 5% do valor total. “Mesmo que o e-commerce tenha dobrado agora, passando para 10%, não recupera o que foi perdido.”

Que setores serão mais afetados? Considerando as crises anteriores, Altamiro diz que o varejo de alimentos e as farmácias devem sair menos prejudicadas da crise, já que comercializam bens essenciais. Já o comércio de bens duráveis, que depende de crédito, será mais afetado, com destaque negativo para as vendas de carros, eletrodomésticos, eletroeletrônicos e móveis.

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