O Pix começou a funcionar nesta semana. Mas os comerciantes têm poucas informações sobre o funcionamento e valor da transação com o novo sistema de pagamentos instantâneos. Como o custo de recebimento pesa muito para esses empresários, saber o valor da tarifa pode impulsionar ou não a adesão ao Pix.

Pesquisa realizada pela Stone mostra que 24% dos empreendedores ainda não se sentem seguros com as informações sobre o Pix divulgadas até o momento. As principais dúvidas são quanto à usabilidade e funcionalidade, custos e taxas, além de segurança e confiança no novo meio de pagamento.

De acordo com o levantamento, 64% disseram saber o que é Pix, mas 77% afirmaram que não estão ou não sabem se estão prontos para receber ou realizar pagamentos pelo novo modelo. Outros 32% não pararam para estudar o assunto e, por isso, sentem-se despreparados.

Donos de restaurantes disseram ao 6 Minutos que receberam poucas informações de seus bancos sobre a utilização do Pix como meio de pagamento. Outros, conseguiram baixar só hoje o QR Code para recebimento dos pagamentos.

“A gente conseguiu receber somente hoje o QR Code para recebimento via Pix. Não deu para oferecer o serviço, pois precisa colocar no sistema, parametrizar. Ainda não deu para receber com Pix”, afirma Caroline Nogueira, sócia do Oggi Restaurante.

Outros empresários nem isso receberam. “Estamos esperando ainda o QR Code”, afirma Amanda Carvalho, dona do Estação do Pastel e sócia do Estação da Moqueca. “Não sabemos como a será a confirmação de pagamento.”

Também há pouca informação sobre o custo da transação. “Trabalhamos com dois bancos diferentes. Um disse que não vai cobrar tarifas nos primeiros três meses e o outro disse que por enquanto não cobraria, mas que depois haveria uma tarifa”, diz Caroline.

Entidades como Abrasel (Associação Brasileira de Restaurantes) e Alshop (Associação de Lojistas de Shoppings) disseram que não podiam falar sobre o custo do Pix como meio de pagamento.

Já a Fecomercio (Federação do Comércio de São Paulo) afirmou que espera que o custo seja muito baixo. “Cada instituição deverá definir a taxa cobrada. E por se tratar de um mercado com muitos agentes participando, a expectativa é de uma concorrência acirrada pela oferta de melhores serviços e menores taxas.”

Qual o valor da tarifa? Esse é o x da questão. Poucas instituições informaram quanto vão cobrar por transação com Pix. Os clientes PJ do C6 Bank terão isenção total nas transações com Pix. No uso das  maquininha do C6, eles terão isenção de tarifas nos três primeiros meses e após esse período, a taxa será de R$ 0,15 por Pix após a 100ª venda do mês.

No Itaú, haverá isenção de três meses nas contas PJ. Após esse período, a tarifa vai variar de acordo com o montante da operação, do perfil do cliente, seu segmento e relacionamento com o banco. “Importante ressaltar que os pagamentos por QR Code, similar aos pagamentos de boleto atualmente, e recebimentos via transferências Pix, similar aos recebimentos via DOC/TED atuais, não terão custo. Outras transações, como transferência via Pix, recebimento por QR Codes (simples e personalizados) e recebimentos por QR Codes pela maquininha Rede serão cobrados”, informa o Itaú.

Outras instituições consultadas não informaram o valor da taxa.

Angelo Duarte, chefe do departamento de Competição e de Estrutura do Mercado Financeiro do Banco Central, diz que a competição bancária vai ajudar a reduzir a tarifa do Pix. “Não há tarifa do BC, a tarifa depende da relação de cada empresa com sua instituição. É um valor negocial, mas existem 700 fornecedores desse serviço, então a tendência é que o custo seja baixo. Esse número [de fornecedores] é que vai fazer o preço da tarifa baixar.”

Já tem gente querendo pagar com Pix? Ainda não, segundo Caroline e Amanda. Mas Caroline, do Oggi, diz acreditar que a adesão ao Pix vá crescer daqui para a frente. “O pagamento via celular, por exemplo, já existe há algum tempo. Mas agora é que as pessoas estão usando mais. Acredito que leve um tempo até todos começarem a usar.”

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