A Semana Brasil, mais conhecida como Black Friday brasileira, começa nesta quinta-feira com a expectativa de recuperar parte das vendas perdidas durante a pandemia. Mas a versão brasileira da promoção está muito longe de alcançar a força da Black Friday que acontece há anos na última sexta-feira de novembro.

Por que essa versão corre o risco de ter baixa adesão? Primeiro porque ela é uma novidade: está apenas no seu segundo ano de existência. Ou seja, as pessoas não criaram o hábito de se preparar para comprar nesta época do ano.

Justamente por isso, muitos varejistas não querem jogar todas suas fichas na Semana Brasil, pois sabem que é mais garantido esperar para vender em novembro.

Outro motivo é que uma campanha como a Back Friday precisa de meses de preparação. E o varejo não teve muito tempo para se preparar para a Semana Brasil, já que passou os últimos meses lidado com um problema maior: a pandemia e suas consequências.

“Para se ter uma ideia, o planejamento da Black Friday de novembro já começou. São meses de negociação para ter estoque suficiente para vender, oferecer produtos que vão ser o chamariz, treinar equipes, contratar mais gente”, disse Alexandre Machado, sócio-diretor da Gouvêa Consulting.

Mas já dá para esperar que essa segunda Semana Brasil seja melhor? Especialistas ouvidos pelo 6 Minutos dizem que ainda é uma incógnita saber se ela vai dar certo ou se será um fiasco.

“Para ter adesão é preciso que seja um evento orquestrado entre a indústria e o varejo. Porque se não for, o consumidor não será impactado. E precisa ser um evento que evolua ano a ano. A jornada é longa até ter um lugar fixado no calendário”, diz Machado.

Também joga contra o fato de que diversos segmentos da indústria tiveram de suspender suas linhas de produção durante a pandemia, o que reduziu o estoque disponível para ofertar ao varejo.

Mas o que o comércio espera da Semana Brasil? Para a FecomercioSP, a segunda edição da Semana Brasil “não vai necessariamente resultar em um desempenho positivo para o comércio, mas deve atenuar a retração das vendas”.

“O objetivo é promover alguns dias de descontos no varejo e ofertas no setor de turismo, com o intuito de impulsionar a economia em um mês considerado fraco para vender”, informa a entidade.

Para o presidente da Associação Comercial de São Paulo, Alfredo Cotait Neto, as vendas em setembro podem crescer até 15% em relação ao mês anterior no comércio paulistano.

Quais as grandes promoções do varejo? A Casas Bahia vai oferecer descontos de até 70% em itens das lojas, site e aplicativo. Os pagamentos poderão ser feitos em até 30 vezes sem juros no cartão da loja, para produtos selecionados.

Já o Pontofrio também terá descontos de até 70% em produtos disponíveis nas lojas, no site e no aplicativo. Os clientes que comprarem com o cartão da marca podem parcelar suas compras em até 30 vezes sem juros no cartão da loja e contar com garantia em dobro.

Magalu e Americanas.com não informaram quais serão suas promoções para a Semana Brasil.

Até quando vai a Semana Brasil? Até 13 de setembro. “Esta é uma ação totalmente suprapartidária, que trará benefícios para a economia do país como um todo”, afirma o conselheiro do IDV (Instituto para Desenvolvimento do Varejo), Marcos Gouvêa de Souza.

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