A taxa média de desemprego de 2020 atingiu o maior patamar desde 2012, de acordo com os dados da Pnad Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua), divulgados hoje pelo  IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). A taxa ficou em 13,5%, o que corresponde a cerca de 13,4 milhões de desempregados no país.

Por que isso aconteceu? Principalmente pela pandemia. “A necessidade de medidas de distanciamento social para o controle da propagação do vírus paralisaram temporariamente algumas atividades econômicas, o que também influenciou na decisão das pessoas de procurarem trabalho. Com o relaxamento dessas medidas ao longo do ano, mais pessoas voltaram a buscar uma ocupação, pressionando o mercado de trabalho”, afirma Adriana Beringuy, analista da pesquisa.

O que aconteceu no país durante 2020?

População ocupada: O Brasil terminou o ano com menos 7,3 milhões de pessoas ocupadas, menor patamar da série anual. A população ocupada passou de 93,4 milhões em 2019 para 86,1 milhões em 2020.

“Foi uma queda bastante acentuada e em um período muito curto, o que trouxe impactos significativos nos indicadores da pesquisa. Pela primeira vez na série anual, menos da metade da população em idade para trabalhar estava ocupada no país. Em 2020, o nível de ocupação foi de 49,4%”, afirma Beringuy.

Trabalho informal: A taxa de informalidade recuou de 41,1% em 2019 para 38,7% em 2020. Isto significa que 33,3 milhões de pessoas estavam trabalhando sem carteira assinada (empregados do setor privado ou trabalhadores domésticos), sem CNPJ ou sem remuneração.

Desalentados: Este grupo é composto pelas pessoas que desistiram de procurar emprego. Em 2020, o Brasil tinha 5,5 milhões de desalentados, uma alta de 16,1%.

Subutilizados: O número de subutilizados chegou a 31,2 milhões, com alta de 13,1% em comparação ao ano anterior.

Salários: O rendimento real do ano ficou em R$ 2.543, 4,7% maior do que no ano anterior. Já a massa de rendimento real, que é soma de todos os rendimentos dos trabalhadores, atingiu R$ 213,4 bilhões (-3,6%).

Resultado do último trimestre

No último trimestre do ano, a taxa de desocupação caiu para 13,9%, depois do recorde registrado no terceiro trimestre (14,6%). Apesar do recuo, 13,9 milhões ainda estavam desempregados no período.

“O recuo da taxa no fim do ano é um comportamento sazonal por conta do tradicional aumento das contratações temporárias e aumento das vendas do comércio. É interessante notar que mesmo em um ano de pandemia, o mercado de trabalho mostrou essa reação”, afirma a analista da pesquisa.

Os destaques do período foram o aumento de 10,8% no número de empregados sem carteira assinada, que atingiu 10 milhões de pessoas, e o total de trabalhadores por conta própria, que chegou a 23,3 milhões (6,8%).

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