Depois de cair para menos de R$ 5 no fim de junho, o preço do dólar comercial subiu nos últimos meses e chegou a bater em R$ 5,70, a maior cotação desde abril. A escalada do valor da moeda americana pode fazer com que investidores se questionem se ainda há tempo para investir em ativos atrelados ao câmbio ou se ficou tarde demais e o melhor a fazer é esperar (e torcer) para uma nova queda.

Para Nelson Muscari, da Guide Investimentos, o ideal é não se assustar com a alta da moeda americana. “Nunca é tarde para investir em dólar. Eu achava que a moeda estava cara em 2017, mas lá se vão quatro anos mordendo a língua”, diz.

Segundo ele, é aconselhável manter uma parcela do investimento atrelada ao dólar para diversificar a carteira.

Muscari explica que o mercado hoje oferece uma gama muito maior de opções para investimentos atrelados ao câmbio do que no passado. Principalmente no que diz respeito a fundos de investimento com exposição offshore e que podem ser beneficiados por altas na variação cambial. Neste tipo de investimento, a gestão ocorre no Brasil, mas os ativos estão alocados no exterior.

Dentro desta opção, o investidor pode escolher se deseja alocar seu capital em fundos que investem em ETFs (sigla para Exchange Traded Funds), que replicam a performance de um índice específico, ou em BDRs (sigla de Brazilian Depositary Receipts), que são certificados que representam ações emitidas por empresas de outros países.

“Os BDRs se tornaram uma opção interessante para quem deseja investir em empresas estrangeiras e isso está atrelado ao dólar”, diz Régis Chinchila, da Terra Invest. De acordo com o economista, a janela de oportunidade para o investimento continua aberta por conta do cenário de incerteza que o Brasil passará em 2022.

Apesar de recomendar a compra como uma estratégia de diversificação do portfólio, Chinchila recomenda que o investidor mantenha atenção para o cenário externo, principalmente ao investir em empresas americanas. “O estímulo monetário nos Estados Unidos deve ser reduzido já no fim deste ano, o que pode impactar no fluxo de negócios”, diz.

Cesar Crivelli, da Nord Research, também recomenda a entrada no mercado acionário americano em detrimento dos títulos de renda fixa. “As maiores empresas do mundo estão nos Estados Unidos e elas têm capital humano e financeiro para se reinventarem em momentos de crise ou para ditar novas tendências”, afirma.

Além de escolher a melhor opção de investidor, Crivelli recomenda que o investidor realize os aportes de maneira constante. “Não adianta alocar 30% ou 40% da carteira de uma só vez. Neste primeiro momento é interessante começar com uma fatia menor e depois ir aumentando aos poucos”, afirma.

Para quem está de olho em fundos cambiais, que mantêm os ativos investidos na valorização direta das moedas, a recomendação de Sandra Blanco, estrategista de investimentos da Órama, é aguardar até que o patamar esteja mais elevado. Já para os interessados em investir em fundos de outro atrelados ao dólar, a recomendação de Blanco é para que o investidor tenha uma posição limitada que sirva apenas como “proteção num cenário de inflação alta no mundo”.

Seja com BDRs, ETFs, fundos cambiais, apostas em fundos offshore ou mesmo na compra de papel moeda, Luigi Wis, da Genial Investimentos, lembra que o dólar pode variar conforme o cenário econômico brasileiro se molde para o ano que vem.

Segundo ele, ainda que o país tenha começado a “desmontar o arcabouço fiscal”, o que pode atrair mais investimentos e melhorar a valorização da moeda brasileira, um cenário futuro com a paralisação de reformas e com políticas voltadas para gastos populistas poderia gerar uma piora na situação cambial.

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