O consumidor que lute para abastecer o tanque do carro. A Petrobras anunciou novos reajustes nos preços da gasolina (7,05%) e do diesel (9,15%), que entram em vigor a partir desta terça-feira nas refinarias.

Para o consumidor, entretanto, o percentual de reajuste deve ser um pouco menor. André Braz, coordenador do índice de preços do Ibre/FGV (Instituto Brasileiro de Economia), estima que o aumento nos postos de combustível seja de 3%.

Isso significa que o preço médio do litro da gasolina, que estava em R$ 6,361 na semana passada, pode passar para R$ 6,552. Já o preço máximo, que era de R$ 7,469, pode ir a R$ 7,693.

Qual vai ser o impacto para a inflação?

Embora o aumento já comece a doer a partir de agora no bolso do consumidor, ele só será captado a partir do IPCA de novembro. “O que será captado pelo IPCA de outubro será muito pequeno. O peso maior para a inflação acontece a partir de novembro”, afirma Braz.

Pelas estimativas do Ibre, a inflação de novembro ficaria em 0,55%. “Com esse aumento de 3% para o consumidor, isso deve gerar um acréscimo de 0,18 ponto percentual na inflação oficial, que deve ir para 0,73%”, afirma Braz.

Com isso, ele revisou a estimativa de aumento do IPCA para 2021 de 9,2% para até 9,5%. Como a inflação é um dos componentes utilizados pelo Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central para definir a Selic, a expectativa é as próximas reuniões sobre juros considerem esse e futuros aumentos dos combustíveis. Hoje, o Copom se reúne para definir a nova Selic e o mercado espera que o aumento seja de até 1,50 ponto na taxa, que está hoje em 6,25% ao ano.

Mas o impacto da inflação para aí?

Não. O aumento do diesel, por si só, tem pouco efeito direto sobre a inflação. O efeito acontece de forma indireta.

“O diesel impacta no custo do frete, na geração de energia, na atividade industrial. Esse impacto indireto é mais difícil de ser estimado, mas vai pesar na inflação”, diz o coordenador do índice de preços do Ibre.

Vai ter mais aumento de combustível?

Tudo indica que sim. A política de preços de combustíveis da Petrobras considera o preço do petróleo e o do dólar. “O cenário continua favorável a novos aumentos de combustíveis e à desvalorização do real. Esse reajuste não põe um ponto final a essa escalada de preços. Até o final do ano, o consumidor deve ver mais aumentos”, afirma Braz.

O tempo do petróleo barato parece ter ficado para trás na análise de várias instituições. O Goldman prevê o barril a US$ 85 em 2023. O Morgan Stanley aumentou sua estimativa de longo prazo em US$ 10, para US$ 70 na semana passada, enquanto o BNP Paribas calcula o petróleo em quase US$ 80 em 2023. Outros bancos, como o RBC Capital, destacam a perspectiva de o petróleo estar no início de um período de alta estrutural.

(Com Bloomberg)

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