A incerteza sobre a volta às aulas embaralha o planejamento de retorno ao trabalho presencial das empresas. Em São Paulo, a expectativa de retorno à sala de aula foi adiada de setembro para outubro. O problema é que não há garantias de que o novo prazo será mantido. No ABC Paulista, as prefeitura já decidiram que escolas não serão mais reabertas neste ano.

Como fica a definição de volta ao presencial? Não fica. Para empresas que não definiram um plano de início do retorno ao presencial, fica mais difícil fazer isso agora. “A Adecco iria fixar o retorno a partir de setembro. Mas como há toda essa dúvida em relação às escolas, preferimos deixar todo mundo calmo e não fixar uma data”, afirma Lucia Neves, gerente de RH da Adecco.

No BV, também não há uma data de retorno fixada.

Como ficam funcionários com filhos? Mesmo sem saber quando voltam, muitas empresas já definiram que os funcionários com filhos em idade escolar serão os últimos a voltar ao trabalho presencial, junto com aqueles que fazem parte dos grupos de risco.

“Um dos critérios utilizados também para a volta foi se o colaborador tem ou não criança em casa, o que impactaria o retorno, já que as escolas estão fechadas. Com isso, pessoas de grupo de riscos ou que têm criança em casa serão os últimos a voltar”, informou o BV.

Esse critério deve ser seguido por outras empresas que planejam retornar ao presencial em fases: 25% da equipe na primeira turma, 35% a 40% na segunda e os restantes por último.

O que mais está impactado o plano de retorno ao trabalho? Outro fator que pesa na decisão das empresas de fixar um calendário de retorno é o medo dos trabalhadores de pegar covid-19. “Os que têm mais medo são aqueles que se deslocam de transporte público”, conta Lúcia.

Mas há planos de voltar, certo? Sim. Até porque há funcionários desejam retornar ao trabalho presencial, mas de uma forma mais híbrida. “Fizemos pesquisas internas, com candidatos e associados e descobrimos que muita gente quer voltar, mas com uma rotina mais flexível. Ou seja, sem a obrigação de ir todo dia para o escritório, podendo usar o home office com mais frequência”, conta a gerente de RH da Adecco.

Segundo ela, a rotina de home office começa a sufocar muitos trabalhadores. “As pessoas sentem falta do convívio social.”

Pesquisa realizada pelo BV mostra que 23% dos funcionários querem retornar ao trabalho presencial. “Se eles estiverem fora de grupos de risco, serão priorizados no momento da retomada”, informou o banco.

Como ficam os funcionários enquanto as empresas não fixam a data de retorno? Continuam como agora, em trabalho remoto. Até porque pesquisas internas realizadas pelas corporações que esse esquema de trabalho foi bem aceito pela maioria. Na Lello Condomínios, 83% dos colaboradores estão satisfeitos com o home office. Outros 74% dizem que bateram ou superaram suas metas.

No BV, o trabalho remoto continua até que o plano de retorno seja colocado em prática. “Os funcionários que não retomarem a atividade no escritório se manterão em home office, política já adotada no banco mesmo antes da pandemia, em que os colaboradores já podiam trabalhar remotamente até dois dias por semana”, informa o BV.

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