O serviço de refeição fora de casa foi um dos mais prejudicados pela pandemia. Seja pela restrição de horário de funcionamento ou pela migração do consumo para dentro de casa, muitos restaurantes viram suas vendas despencar. Mas esse cenário começa a mudar com a redução de pessoas em isolamento total e retomada de atividades econômicas que ficaram suspensas.

De acordo com o estudo Consumer Insights, feito pela Kantar, o consumo fora de casa caiu 17% no terceiro trimestre do ano em relação ao mesmo período de 2019. Na mesma comparação, o consumo dentro de casa subiu 12,1%.

Mas o consumo fora de casa não deu sinais de vida? Muito pequeno, mas deu. Na comparação com o segundo trimestre de 2020, o consumo fora de casa avançou 0,2%. No mesmo período, o consumo dentro de casa encolheu 3,8%.

“O consumo fora de casa começou a ter reação, mas ainda muito tímido. Foi o início da retomada, mas ainda não estancou a perda acumulada no ano. Ele parou de cair”, diz David Fiss, diretor de Serviços ao Cliente & Novos Negócios da Kantar.

Qual o perfil desse consumo? O estudo mostrou que o consumo fora de casa foi puxado por consumidores das classes A, B e C, idade entre 30 e 39 anos.

Em que lugares esse consumo aconteceu? “A retomada foi mais forte em bares e padarias do que em restaurantes. Nas padarias, o destaque foi o café da manhã. Nos bares, aumentou o consumo de cerveja e petisco”, afirma Fiss.

De acordo com os dados da Kantar, houve aumento de consumo em bares (58,7%), padarias (35,5%) e restaurantes (11,4%).

  • Bares: consumo de cerveja e petiscos por jovens nos fins de semana.
  • Restaurantes: consumo durante a semana no horário do almoço.
  • Padarias: consumo de salgados, sanduíches e bebidas quentes no café da manhã.

O que foi que as pessoas consumiram? Veja abaixo:

  • Bebidas não alcoólicas (+5,9%): energético, suco natural, água, chá, água de coco
  • Bebidas alcoólicas (+0,2%): cerveja
  • Refeições (+34,6%): quilo, buffet, cardápio
  • Sanduíches (+26,7%): sanduíche quente, frio e hambúrguer

E o que não se recuperou ainda? Veja consumos que estão em queda:

  • Bebidas não alcoólicas: leite saborizado, bebida à base de soja, refrigerante, isotônico
  • Bebidas alcoólicas: outros alcoólicos
  • Refeições: prato feito
  • Snacks feitos na hora: pastel, bolos, pizza, doces
  • Snacks industrializados: salgadinhos de pacote, bala de goma, iogurte, biscoitos e chocolate

Qual foi a grande mudança de comportamento de consumo em 2020? O principal deles foi o aumento do consumo dentro de casa, já que famílias inteiras passaram a fazer todas as refeições do dia no lar. “O consumidor cozinhou mais e comprou mais produtos para a nova realidade de ter os filhos dentro de casa o tempo todo”, diz Fiss.

Outra mudança, segundo ele, foi um incremento de gastos com produtos de limpeza e higienização da casa. Por outro lado, produtos destinados a momentos de socialização, como maquiagem e perfume, tiveram forte retração.

Qual as expectativas para 2021? Para Fiss, o fim do auxílio emergencial deve impactar o consumo dentro do lar. “O benefício foi o grande motor do crescimento do consumo dentro de casa neste ano.”

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