A reguladora chinesa do setor de habitação aumentou a supervisão das contas bancárias da China Evergrande para garantir que os fundos sejam usados para concluir projetos habitacionais, e não desviados para pagar credores.

No mês passado, o Ministério da Habitação e Desenvolvimento Urbano-Rural instruiu que subsidiárias na China supervisionassem fundos para projetos imobiliários da Evergrande em contas especiais de custódia, de acordo com pessoas a par do plano que não quiseram ser identificadas. Evergrande e o Ministério da Habitação não responderam de imediato a pedidos de comentário.

Sob maior supervisão, os fundos da incorporadora devem primeiro ser usados para a construção e entrega dos projetos, disseram as pessoas. Pagamentos em dinheiro dessas contas supervisionadas pelo governo, como para fornecedores, estarão sujeitos à aprovação do estado, disseram. Agências em algumas cidades já começaram a implementar as medidas, segundo as fontes.

As restrições são outro sinal de que proprietários de imóveis estão em primeiro lugar na lista de prioridades do governo de Pequim para administrar a crise da Evergrande, mesmo com detentores de títulos, bancos e outros credores à espera de pagamentos relacionados a mais de US$ 300 bilhões em passivos da incorporadora mais endividada do mundo.

A empresa mantém investidores ansiosos ao não fazer qualquer anúncio se efetuou o pagamento na quinta-feira de um cupom de US$ 83,5 milhões de um título com vencimento em março. A maior emissora da Ásia de títulos em dólar com grau especulativo até agora não fez nenhum registro na bolsa de valores ou comentário sobre o cupom. Três credores do título disseram à Bloomberg que não receberam o pagamento.

As restrições às contas bancárias destacam que as autoridades estão assumindo um papel mais ativo na turbulência, à medida que pagamentos não realizados pela Evergrande relacionados a produtos de investimento geram protestos em todo o país. Ações e títulos da Evergrande despencaram nos últimos meses com a preocupação de que as enormes dívidas levem a uma das maiores reestruturações de todos os tempos na China.

Incorporadoras chinesas vendem imóveis residenciais antes da conclusão da obra, mas são obrigadas a depositar os fundos dessas vendas em contas bancárias supervisionadas. O objetivo é evitar que construtoras com pouco caixa abandonem projetos ou direcionem fundos para outros fins.

Uma cidade chinesa suspendeu as vendas em dois projetos da Evergrande em julho, alegando que a incorporadora desviou fundos ao depositar apenas uma parte dos recursos com as vendas dos imóveis nas contas de custódia, segundo comunicado do governo local.

 

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