Por Naveen Thukral e Hallie Gu

CINGAPURA/PEQUIM (Reuters) – A China está ampliando os carregamentos de trigo australiano, apesar do amargo impasse comercial entre os dois países, à medida que reduções de safra em outros lugares levam a um déficit global na produção.

A onda de compras ocorre no momento em que a Austrália, um importante fornecedor global de alimentos, espera uma segunda safra abundante consecutiva, enquanto produtores do hemisfério norte foram atingidos por clima adverso e seca.

A China, maior importadora mundial de produtos agrícolas, impôs taxas antidumping sobre o vinho e a cevada australianos e reduziu as compras de carvão e carne bovina da Austrália durante a longa disputa, mas está buscando o trigo conforme os preços oscilam perto das máximas de oito anos.

“É tudo uma questão de disponibilidade de suprimentos de trigo de boa qualidade pelo preço certo quando se trata de segurança alimentar para a China ou qualquer outro país”, disse Phin Ziebell, economista de agronegócio do National Australia Bank em Melbourne.

“É claro que existe uma postura em relação à disputa comercial, mas o abastecimento de alimentos é fundamental.”

A China apareceu como principal compradora da próxima safra de trigo da Austrália, levando cerca de 2 milhões de toneladas dos 5 milhões que os agricultores venderam até agora da safra 2021/22 (julho-junho), que será colhida no final do ano, disseram três fontes comerciais e um analista à Reuters.

“Os compradores chineses cancelaram alguns carregamentos de trigo francês por questões de qualidade e estão se voltando para a Austrália com tudo”, disse um trader de Cingapura em uma empresa internacional de fornecimento de alimentos.

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