Em homenagem ao mês das mães, sete empresários de sucesso compartilham os ensinamentos “maternos” mais importantes – e intrinsecamente entrelaçados com suas vidas diárias e trajetórias profissionais.

Entre as lições que as matriarcas dão estão desde o priorizar-se até dicas práticas (aprender inglês, por exemplo). “Uma lição, em especial, foi decisiva para minha trajetória: a importância da persistência, de nunca desistir de um projeto, uma ideia ou um sonho sem doar-se ao máximo”, diz  Ricardo Ogawa, gerente-geral da Astellas Farma Brasil.

Veja abaixo o que os executivos aprenderam com suas mães:

PRIORIZE-SE

Katia Vaskys, gerente-geral da IBM no Brasil

“Como membro de uma família muito matriarcal, fica aqui o conselho da minha nona italiana e repetido, continuamente, pela minha mãe: “prima a me, poi agli altri” (em português: “primeiro a mim, depois aos outros”). Em princípio, a declaração pode parecer egoísta, mas me foi ensinada como uma profunda lição de força, amparo e disponibilidade. Já dizia minha mãe: mulheres são o pilar da família e você não consegue cuidar de tudo se não estiver bem. Respeite, portanto, seu espaço, seu tempo, seu corpo e, mais do que isso, não se afaste de sua essência nem de seus valores. Só assim você pode ajudar sua família, seus amigos, a sociedade, o mundo. Uso este mantra sempre que estou em uma situação difícil. Penso em como posso resolver, colaborar, ter sucesso, enfim, descobrir uma saída. Especialmente nestes tempos de pandemia, estar centrada, plena e consciente tem ajudado muito.”

NUNCA DESISTA

Ricardo Ogawa, gerente-geral da Astellas Farma Brasil

“Aprendi inúmeras lições com a minha mãe. Uma, em especial, foi decisiva para minha trajetória: a importância da persistência, de nunca desistir de um projeto, uma ideia ou um sonho sem doar-se ao máximo. Apesar de nossa origem humilde, ela sempre reforçou comigo e com meus irmãos que poderíamos alçar grandes voos, desde que não desistíssemos facilmente diante dos obstáculos. Ao longo de mais de 30 anos no mundo corporativo, morei em cinco países diferentes e vivenciei o medo do fracasso, a dificuldade de adaptação a novas culturas – e a vontade de jogar tudo para o alto em alguns momentos. Graças ao apoio da minha família e a persistência adquirida desde a infância, porém, consegui encontrar o controle emocional e a força interior necessária para encarar as adversidades, transformando-as em fontes de motivação. Afinal, de acordo com um provérbio chinês frequentemente recitado pela minha querida mãe: ‘neste mundo não há tarefa impossível se houver persistência’.”

O COMBINADO NÃO SAI CARO

Adriana Aroulho, CEO da SAP Brasil, líder em aplicativos empresariais

“São muitos os ensinamentos e as sentenças emblemáticas da minha mãe. ‘O combinado não sai caro’, em especial, era muito repetido por ela e me marcou bastante, tanto que hoje me vejo falando a mesma coisa para os meus filhos. A frase tem a ver com ética, responsabilidade, assumir compromisso, fazer o certo e falar sempre a verdade (por mais difícil que seja). Apesar de ter sido sempre uma boa aluna, lembro quando ainda criança tirei uma nota seis em português e acabei criando coragem para contar para a minha mãe, que de pronto me perguntou: ‘você deu o seu melhor?’ Eu, na defensiva, respondi que sim, claro! Depois disso, refleti e me dei conta de que não, eu não havia dado o meu máximo naquela prova. O episódio me marcou bastante e, desde então, tenho tentado dar o melhor de mim o tempo todo, seja nas minhas relações pessoais, comerciais ou profissionais.”

FALAR INGLÊS É FUNDAMENTAL

André Belz, sócio-fundador da Rockfeller Language Center, rede de franquias de idiomas

“Minha mãe sempre foi muito amorosa e presente, tentando fazer o melhor para os filhos, principalmente no que dizia respeito à educação. Quando eu tinha 10 anos, a questão de falar outro idioma ainda não era algo tão exigido quanto agora, mas mesmo assim ela não hesitou em me matricular em uma escola de inglês. Quando completei 16 anos, fui para os Estados Unidos fazer o High School, que equivale ao nosso ensino médio. No começo eu não queria ir, porém, de tanto ela insistir, acabei concordando. Hoje, vejo que foi a melhor coisa que fiz. O rumo que dei a minha carreira e o fato de chegar aonde estou hoje foi sem dúvida fruto do esforço, da dedicação e, sobretudo, da visão de futuro da minha mãe.”

OUÇA E AJUDE AS PESSOAS

Lucas Mendes, general manager da WeWork no Brasil, empresa líder em espaços de trabalho flexíveis

“Minha mãe sempre se engajou em causas que ajudassem os mais necessitados, promovendo doações de comida, dinheiro e roupas. E não era só isso. Lembro de quando equipamos a escola da nossa cidade, no interior de Minas Gerais, com fitas cassetes de desenhos animados e livros. Sem falar que todo ano emprestávamos a fazenda da família para a organização de um super casamento coletivo para qualquer um que não tivesse condição de arcar com os custos de um evento como esse. Me recordo, ainda, da constante disposição da minha mãe para escutar as histórias das pessoas, dando espaço para entender seus problemas e buscar soluções. Eis um precioso ensinamento que costumo levar em conta ao tomar qualquer decisão como líder, e que procuro, no dia a dia, transmitir ao meu filho. Tento fazê-lo compreender, por exemplo, o que estamos passando nesse momento de pandemia e a importância de fazer algo pelo próximo. Ele ainda é pequeno, mas a ideia é que aos poucos vá absorvendo esse valor fundamental, assim como aconteceu comigo.

COMANDE SUA PRÓPRIA VIDA

Mariana Birchall, sócia-fundadora da Riô Biocosméticos

“Minha mãe é a minha maior referência. Ela veio de uma família simples, criou uma empresa sem nunca ter feito faculdade, jamais perdeu o foco na família e me ensinou que, sendo independente, eu estaria no comando das minhas próprias decisões e da minha vida. Ela me preparou para isso não só dando exemplo, mas me incentivando a desenvolver o máximo possível de habilidades, como cozinhar, costurar, vender, fazer artesanato. Graças a ela, que também fazia questão que o esporte fizesse parte de minha vida, cresci com disciplina e descobri que todo sucesso é fruto de muito esforço e treino. Tudo na minha vida sempre foi intenso, mas aprendi a me reerguer com as derrotas. Em 2003, uma semana após perder meu primeiro marido, criei minha marca de bolsas e sapatos e, após 12 anos no mercado, me mudei para a Europa para fundar a Riô Biocosméticos. Ao longo de toda essa trajetória, posso dizer que apliquei os ensinamentos maternos não só para me tornar dona do meu próprio nariz, mas para conseguir me reinventar o tempo todo.”

OS MEIOS NÃO JUSTIFICAM OS FINS

Décio Pecin, CEO da CNA, rede de escolas de idiomas

“Aos 9 anos de idade, passei uma vergonha enorme, mas valeu pelo aprendizado. Tudo começou porque eu resolvi completar uma das páginas do meu álbum de figurinhas para ganhar um liquidificador que adoraria dar de presente para a minha mãe. Para comprar as figurinhas, peguei uns trocados escondidos tanto dela quanto do meu pai, que pouco depois deram falta do dinheiro, reservado para a feira. Morrendo de medo, acabei confessando a ‘infração’ e minha mãe me fez ir até a banca para devolver tudo e pegar o dinheiro de volta. Lembro que, quando cheguei em casa, contei para ela por que havia feito aquilo – e choramos juntos. A lição me ajudou a entender que, apesar de querer fazer o bem, os meios jamais justificam o objetivo final. É preciso ter muita retidão na forma de pensar e agir, sempre.”

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