SÃO PAULO (Reuters) – A elétrica estatal Cemig, controlada pelo governo de Minas Gerais, precisa de recursos para cobrir necessidades bilionárias de investimento, e uma alternativa para levantar caixa seria uma oferta primária de ações, disse o secretário-geral da administração estadual, Mateus Simões.

O governador Romeu Zema (Partido Novo) já manifestou desejo de privatizar a Cemig, mas recentemente admitiu dificuldades políticas para levar a operação adiante no curto prazo.

“Conhecendo a necessidade de investimentos que se aproximam de 15 bilhões de reais, o que o governador tem afirmado é a necessidade de garantir esse aporte, que o Estado, como controlador, não tem condições de fazer”, disse o secretário Simões, em nota.

“Vender uma parte das ações do Estado não é uma solução, pois o dinheiro não iria para a Cemig. Buscar novos recursos numa emissão primária poderia ser uma solução, como vender o controle, como normalmente se cogita, também seria”, acrescentou ele.

Os comentários vêm após o governador Zema ter afirmado na véspera, em entrevista ao Valor Econômico, que a empresa precisaria de 15 bilhões de reais “para colocar num ponto adequado sua infraestrutura de transmissão e distribuição”.

Zema disse que, em meio ao aporte, o Estado poderia terminar com participação menor na Cemig. “É o que nós queremos. O importante é trazermos o investimento”, afirmou ele ao jornal.

Uma capitalização da empresa por meio da emissão de novas ações diluiria os atuais acionistas, como o governo mineiro, caso estes não acompanhem o aporte.

Questionado pela Reuters sobre a visão do governo em relação à Cemig, o secretário-geral da administração estadual disse que o objetivo é melhorar os serviços da companhia.

“O foco do Estado, no que se refere à Cemig, é garantir que toda pessoa ou empresa, em Minas, possa ter garantido acesso a energia de qualidade, com velocidade e disponibilidade de carga”, afirmou.

Procurada, a Cemig não comentou de imediato as declarações de Zema e do secretário Simões.

O governo de Minas Gerais possui participação de 17,5% na Cemig, mas controla a companhia com 50,97% das ações ordinárias, com direito a voto.

(Por Luciano Costa)

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