O Carrefour Brasil lançou nesta terça-feira uma nova ferramenta em seu aplicativo que sugere produtos mais baratos e mais equilibrados do ponto de vista nutricional para os consumidores. Para cada produto buscado, o cliente receberá recomendações de produtos com a mesma avaliação nutricional ou com nota melhor e de preço mais acessível. Além disso, em uma segunda lista de indicações, são listados produtos com ingredientes mais equilibrados, sem levar em consideração o preço.

“Hoje, quando o cliente entra na loja, ele tem que escolher entre milhares de produtos. Um supermercado pode ter 20 mil itens. Hoje, ele está sozinho nesse escolha, que traz a dificuldade de escolher o melhor produto, de melhor qualidade nutricional e menor preço”, diz o o CEO de varejo do Carrefour Brasil, Luis Moreno.

O algoritmo que classifica a qualidade nutricional dos alimentos é baseado em uma classificação criada pelo Ministério de Saúde da França e, segundo Moreno, todos os fornecedores podem calcular de forma transparente a nota de seus produtos.

“A reação da indústria à ferramenta foi diversa. Alguns fornecedores estavam mais familiarizados com essa questão. Outros fornecedores não tinham tanta clareza. Gera alguma disrupção. Alguns produtos nossos tiveram scores não favoráveis. Vimos que temos que melhorar”, disse.

Segundo Moreno, a iniciativa foi comunicada com antecedência à indústria e houve boa aceitação dos fornecedores menores que, muitas vezes, fazem produtos mais equilibrados que as grandes marcas, mas não têm o mesmo poder de comunicação.

As indicações são feitas sempre dentro da categoria de produtos que o cliente quer comprar e as notas são estabelecidas de A a E. Não há indicação de produtos menos processados, por exemplo. Assim, um pão industrializado pode receber nota A ou B, dentro de sua categoria, mesmo se tratando de um alimento ultraprocessado, que o Guia Alimentar para a população brasileira recomenda que os consumidores evitem.

“A ferramenta não é perfeita”, disse Moreno.

Ele explica que mais à frente, o algoritmo pode evoluir nesse sentido.

A ferramenta tem ainda a ambição de ser aberta para outros varejistas. Para tal, será necessário fazer a importação do inventário de outras redes no que diz respeito a sortimento e preços. “A ferramenta tem essa possibilidade. Pode ser por meio de um aplicativo ‘white label’ (que permite que uma empresa compre e use a solução tecnológica com sua própria marca), por exemplo. Mas ainda não tivemos essas conversas”, afirma.

Hoje, são cerca de 16 mil produtos do sortimento do Carrefour que são considerados elegíveis para essa classificação. Destes, cerca de 10 mil já foram classificados. O restante depende de informações nutricionais que não estão disponíveis nos rótulos por não serem obrigatórias. Açúcares totais e porcentagem de frutas, verduras e castanhas, por exemplo, não estão disponíveis em algumas embalagens.

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