O Carrefour anunciou hoje a inclusão de uma cláusula antirracista em todos os contratos assinados com fornecedores e uma política de tolerância zero ao racismo. Na prática, a cláusula vem sendo aplicada desde janeiro para novos contratos. A novidade é que agora ela foi comunicada à rede de 16 mil fornecedores da varejista junto com a revisão da sua política de diversidade.

“Queremos que todos que se relacionam com Carrefour adotem as melhores práticas, apoiem iniciativas e incentivem mudança de comportamento. Não basta combater o racismo, é preciso ser antirracista”, afirma em nota Noel Prioux, CEO do Grupo Carrefour Brasil.

Qual o contexto? Desde a morte de João Alberto Freitas, espancado por dois seguranças do Carrefour em 19 de novembro de 2020, o grupo vem acelerando a adoção dessa política de tolerância zero contra o racismo.

Entre as novidades adotadas está a substituição dos seguranças terceirizados pela internalização dos agentes de fiscalização, além da implementação de um novo modelo.

Como está o caso João Alberto? O Carrefour informou que depositou hoje R$ 1 milhão para Milena Alves, viúva de João Alberto. O depósito foi feito em uma conta criada com a finalidade de consignação extrajudicial para efeito de indenização e já está disponível para Milena, única familiar que ainda não fechou acordo judicial com a empresa.

O grupo ainda depositou R$ 100 mil extras diretamente na conta bancária de Milena para gastos mais urgentes da viúva.

Foi só essa cláusula que mudou? Não. Ela faz parte de uma série de 72 iniciativas reunidas em 8 compromissos públicos para o combate à discriminação e inclusão de negros e negras, assumidos pela empresa como forma de contribuir para o enfrentamento do racismo no Brasil.

A companhia também lançou um canal de denúncias de enfretamento ao racismo e discriminação para colaboradores, clientes, terceiros e fornecedores. “Estamos hoje aqui para assumir de forma clara, firme, transparente, o nosso compromisso. Assumindo papel de liderança no setor e compartilhar com todos o que estamos aprendendo, combatendo o racismo”, enfatiza Prioux.

É só marketing? Para Guilherme Gobato, fundador da consultoria em diversidade Diálogos Entre Nós, essa cláusula mostra um compromisso sério do Carrefour no enfrentamento do racismo. “Quando uma empresa do tamanho do Carrefour assume esse compromisso, ela sinaliza para as demais, inclusive concorrentes, uma tendência. E mostra que valores como tolerância zero com o racismo são inegociáveis.”

 

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