O chef profissional Rodrigo Einsfeld viu a vida virar de cabeça para baixo por causa da pandemia. Ex-chef executivo de um restaurante famoso em São Paulo e participante do Masterchef 2020, Einsfeld precisou mudar os rumos da carreira para não expor o filho, em tratamento de leucemia, ao coronavírus. A solução foi começar a cozinhar em casa e vender pelo Apptite, um app de entrega que reúne chefs autônomos.

Comida artesanal feita em cozinhas caseiras é a principal proposta da plataforma. No ano passado, impulsionada pelo avanço do delivery, a rede viu seu faturamento dobrar para R$ 14 milhões.

O CEO do Apptite, Guilherme Parente, diz que o resultado foi influenciado pela pandemia, pelo alto nível de recorrência dos clientes (oito em cada dez clientes voltam a fazer pedido pelo app) e pela qualidade da comida em si.

Quem cozinha pelo Apptite? Hoje existem 900 chefs ativos, que vão desde profissionais a amadores. Toda a produção é feita nas cozinhas das casas destas pessoas, normalmente sem ajuda equipe.

Einsfeld foi apresentado à plataforma por uma amiga e, desde março, entrega pratos na zona norte de São Paulo. “Por mais que eu venha de uma gastronomia mais refinada, com ticket médio mais alto e com produtos mais caros, eu tentei fazer um balanço entre minha comida caseira e técnicas elaboradas”, afirma Einsfeld.

Já Nilva Bianco apostou na culinária como uma virada de carreira e ganhou os clientes pelo estômago com seu nhoque de abóbora com ragu de costela. De 2017 até hoje, calcula que vendeu cerca de 2 mil unidades do prato.

Começou cozinhando para familiares e amigos, depois fazia jantares pagos e agora vende apenas pelo Apptite. “Eu continuo cozinhando sozinha. Se você quer escalonar suas vendas, vai precisar de uma equipe, de ajudantes. Talvez esse ano eu me decida fazer isso”, conta Bianco, que trabalha com a produção de itens congelados e pratos prontos para consumo. Para ela, o grande diferencial é a culinária afetiva.

Como potencializar as vendas? Apostando em divulgação pelas redes sociais, na qualidade das refeições e no atendimento ao cliente. Chefs que recebem notas baixas dos clientes não podem mais continuar na plataforma, explica Parente.

Em abril e junho, primeiros meses de isolamento, Einsfeld chegou a vender de 550 a 600 pratos mensalmente. Depois, quando as pessoas começaram a cozinhar mais em casa, a quantidade passou de 350 a 400 por mês. Tudo feito por ele.

Como trabalhar para o Apptite? Ser MEI, fazer o curso de boas práticas da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) e participar de uma entrevista por telefone. Depois desta etapa, o time do Apptite faz um tour virtual pela cozinha do candidato e, se estiver tudo certo, a parceria começa.

Quem não tem MEI pode se cadastrar com um CPF, desde que se comprometa a virar MEI no prazo de um mês.

Modelo de franquias

Ser um cozinheiro de mão cheia nem sempre é suficiente para ter sucesso. Pensando nisso, o Apptite lançou em 2021 um modelo de microfranquias para quem quer ganhar dinheiro cozinhando, mas não tem habilidade com a montagem do cardápio.

“A franquia é destinada para pessoas que sabem cozinhar muito bem, mas não têm facilidade de escolher um cardápio comercial e querem praticidade para cozinhar”, afirma Parente.

Qual o investimento? A partir R$ 15 mil. O franqueado pode escolher entre três segmentos: Apptite Pasta, que já está em funcionamento, Apptite Burguer e Apptite Sushi, que serão lançadas em breve.

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