A Caixa fez um balanço das suas operações de crédito imobiliário do primeiro semestre e anunciou algumas novidades para os clientes que buscam financiamento pelo banco. A principal mudança é a incorporação das taxas de registro do imóvel e do ITBI (Impostos de Transmissão de Bens Imóveis) no contrato de crédito.

“Estimamos que essa medida gerará um alívio de R$ 2,4 bilhões para as famílias já no segundo semestre de 2020”, disse o vice-presidente de habitação da Caixa, Jair Mahl. Essas taxas que serão incorporadas ao financiamento representam até 5% do valor do imóvel e devem ser pagas à vista, no momento de registro em cartório.

A Caixa disse que a medida estava em teste desde abril e que 3 mil contratos já foram firmados nesse modelo. A partir de hoje a opção estará liberada para todos os financiamentos imobiliários. “Ao parcelar esse custo, as famílias ficam livres para mobiliar os imóveis ou até fazer melhorias iniciais”, pontuou Mahl.

Além do parcelamento das caixas cartorárias, a Caixa anunciou que os registros dos contratos habitacionais poderão ser feitos por meio eletrônico. O banco cadastrou mais de 1.300 cartórios de 14 estados na plataforma interligada, e espera que essa medida reduzirá o tempo de registro de 45 para apenas 5 dias.

“Em um primeiro momento o registro digital valerá somente para unidades em empreendimentos, e não para as vendas individuais”, explicou o vice-presidente de habitação da Caixa.

Balanço do primeiro semestre

A Caixa divulgou os resultados das novas operações de crédito contratadas no primeiro semestre. As contratações no SBPE (Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo), que tem como foco as famílias das classes C e B, avançaram 21% em relação ao primeiro semestre de 2019, o que colocou a Caixa como detentora de 70% de participação no segmento.

“Mesmo em um momento mais crítico, demos esse apoio a um segmento que é chave para a criação de empregos”, disse Pedro Guimarães, presidente da Caixa. Ele disse que o mês de junho foi o melhor dos últimos 4 anos para a contratação de financiamentos com recursos da poupança, e que as operações somaram R$ 4,6 bilhões no mês.

Já as contratações no Minha Casa Minha Vida, que utilizam recursos do FGTS, chegaram a cair em abril, mas já atingiram as mesmas médias mensais do pré-pandemia. Em junho, R$ 6,4 bilhões foram liberados em financiamentos de moradia popular. No ano, mais de 170 mil unidades foram adquiridas.

Na soma dos contratos do MCMV, do SBPE e de outras modalidades habitacionais a Caixa liberou mais de R$ 11 bilhões em junho. A carteira de crédito habitacional do banco atingiu R$ 478,5 bilhões distribuídos em mais de 5,4 milhões de contratos. O presidente do banco atribuiu o crescimento à estratégia de funcionamento durante a pandemia.

“Nossos 8.500 correspondentes bancários e as 4.200 agências continuaram abertas durante a quarentena, por causa até do pagamento do auxílio emergencial”, disse Guimarães.

Crédito habitacional com 6 meses para começar a pagar

O banco disse que já firmou 26 mil novos contratos de crédito imobiliário com a condição de carência. Durante a pandemia, a Caixa lançou linhas de crédito para a compra do imóvel com o primeiro pagamento somente 6 meses após o registro da casa própria.

“Estamos registrando mais de 300 mil simulações de financiamentos por dia, e realizamos mais de 9 mil avaliações de crédito habitacional diariamente”, afirmou Jair Mahl, vice-presidente do banco.

Pausa no financiamento habitacional

A Caixa disse já ter concedido uma carência de até 4 meses no financiamento habitacional de mais de 2,4 milhões de famílias. Como o pedido dessa pausa é feito pelo aplicativo Habitação Caixa, o número de atendimentos on-line disparou. De acordo com o banco, foram mais de 114 milhões de acessos aos canais digitais do banco — que incluem o app de habitação, o internet banking e o site da Caixa.

Nesta matéria nós explicamos como funciona a pausa do financiamento imobiliário.

Ajuda às construtoras

Medidas que beneficiam as construtoras e incorporadoras também foram anunciadas hoje. O banco disse que tem, atualmente, 5.600 empreendimentos financiados com recursos da Caixa, que somam mais de 740 mil unidades habitacionais em construção.

O índice de obras paralisadas caiu de 1,7% em maio para 0,7% em junho. O vice-presidente de habitação disse que a maioria dos projetos parados estão em cidades que adotaram medidas de isolamento mais restritas, ou que decretaram lockdown.

Para aliviar o caixa das empresas do setor de construção, a Caixa permitirá que os encargos dos empreendimentos sejam pagos pelos recebíveis (valores futuros de vendas). “As empresas poderão utilizar as vendas para fazer os pagamentos, e não precisarão mexer no caixa”, disse Mahl.

Além disso, o banco diminuiu as porcentagens de unidades vendidas exigidas para o financiamento de empreendimentos, o que agiliza a liberação de recursos para as construtoras e diminui o prazo de início de obras.

“Dado que a Caixa tem quase R$ 500 bilhões em operações de crédito imobiliário, faz sentido que a gente dê apoio a esse setor que é tão importante para a economia”, afirmou Pedro Guimarães.

As medidas foram elogiadas por representantes do setor que estavam presentes na coletiva da Caixa. O empresário Rubens Menin, dono da MRV e conselheiro da Abrainc (Associação Brasileira de Incorporadoras) afirmou que as construtoras estão muito satisfeitas com a atuação da Caixa durante a pandemia.

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