A Caixa Econômica Federal irá à Justiça para cobrar do Corinthians uma dívida de quase R$ 500 milhões. Trata-se de um empréstimo que o clube tomou do banco estatal para poder construir a Arena Corinthians, estádio inaugurado em 2014 para ser utilizado na Copa do Mundo do mesmo ano e que é conhecido como Itaquerão.

O clube paulista já foi notificado extrajudicialmente pela Caixa sobre a execução da dívida.

O que significa isso? Ao pedir o empréstimo à Caixa, o Corinthians apresentou alguns ativos como garantia, incluindo uma parte do terreno do Parque São Jorge, a sede do clube em São Paulo. Na prática, a decisão de execução da dívida significa que a direção do banco não tem mais a expectativa de que os valores remanescentes a receber sejam quitados nos prazos acertados e pretende receber como pagamento esses ativos dados em garantia.

Arena Corinthians Itaquerão

Arena Corinthians, estádio conhecido como Itaquerão, durante partida da Copa América de 2019
Crédito: Wander Roberto/CopaAmerica2019

Segundo o site GloboEsporte.com, há também a previsão de uma garantia financeira, que seria arcada pela Odebrecht, empreiteira que construiu a obra. A empresa, no entanto, está em recuperação judicial, o que significa que suas dívidas estão congeladas.

Mas o Corinthians não pagou o que devia? A Caixa emprestou R$ 400 milhões para o Corinthians para a construção do estádio. O clube pagou cerca de R$ 170 milhões nos últimos anos, mas, por causa dos juros e da correção, o valor atualizado da dívida está em quase R$ 500 milhões. Segundo o banco, nos últimos meses, o clube deixou de pagar as parcelas devidas.

Por que o banco tomou essa decisãoEm entrevista ao jornal O Globo, o presidente da Caixa, Pedro Guimarães, afirmou que a “execução é natural” em situações nas quais o banco “não recebe e não tem renegociação”. Guimarães também disse que “não se trata de benefício ou perseguição”.

E o que o Corinthians diz a respeito? Em nota, o clube afirma que negocia com o banco desde o ano passado e que aguardava a conclusão da mudança de comando da instituição — Pedro Guimarães foi nomeado para o comando do banco em janeiro — para finalizar o “reperfilamento da dívida”, ou seja, a renegociação.

Segundo o Corinthians, desde que esse acerto foi desenhado com a gestão anterior da Caixa, “os compromissos vinham sendo honrados, como se os termos do acordo preliminar estivessem vigendo”.

“Como não houve interrupção do diálogo e tudo caminhava para um acordo mutuamente vantajoso, não há como compreender o gesto intempestivo, que sequer foi previamente comunicado à agremiação”, diz o clube, que diz estar “aberto a voltar à mesa de negociação”.

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