Após a decisão da Arábia Saudita de reduzir em 10% seus preços de exportação de petróleo, os preços da commodity estão desabando nos mercados internacionais, em uma crise que se soma às quedas provocadas pelo avanço do coronavírus.

Os preços do petróleo chegaram a cair mais de 30% nesta segunda (dia 9), o maior recuo diário desde a Guerra do Golfo, em 1991.

O petróleo tipo Brent (originário do Mar do Norte) chegou a cair 31% no início da sessão, para US$ 31,02, menor nível desde 12 de fevereiro de 2016, enquanto o WTI (dos Estados Unidos) chegou a despencar 33%, para US$ 27,34 dólares, também menor nível desde 12 de fevereiro de 2016.

A maior queda diária do petróleo dos EUA foi em 1991, quando a cotação recuou em um terço.

Qual a causa da queda do petróleo? A Arábia Saudita sinalizou que elevará sua produção como forma de ganhar participação no mercado, que já está com sobreoferta de óleo devido aos efeitos do coronavírus sobre a demanda.

Ao tomar a decisão, o país quebrou uma aliança de três anos com a Rússia, que se recusou a reduzir a produção do óleo.

A quebra desse acordo entre os países pode ser temporária e fazer parte de um jogo de negociação. Mas, caso seja duradoura, executivos do petróleo dizem que não há nada para impedir que os preços alcancem os níveis mais baixos em pelo menos cinco anos.

Qual seria a consequência de uma queda permanente nos preços? Produtores de todo o mundo seriam prejudicados, em especial da Venezuela e do Irã, cujas economias baseadas na commodity já estão sob pressão das sanções americanas.

O entrave poderia beneficiar o consumidor, mas um colapso prolongado dos preços aumentaria a pressão sobre as empresas petroleiras.

Países em desenvolvimento que dependem de petróleo, como Nigéria, Angola e Brasil, também podem sofrer desacelerações econômicas significativas.

(Com Estadão Conteúdo e Reuters)

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