Atualizada às 14h39

O brasileiro Roberto Azevêdo, diretor-geral da OMC (Organização Mundial do Comércio), afirmou nesta quinta-feira que deixará o cargo um ano antes do planejado, em agosto, em um movimento inesperado num momento em que o órgão comercial esforça-se para conter as tensões globais e coordenar as respostas à pandemia de Covid-19.

Azevedo tem 62 anos e assumiu o cargo de diretor-geral da OMC em 2013. Ele está em seu segundo mandato, que deveria ser concluído no final de agosto de 2021.

Quais motivos dele deu para a decisão? Azevêdo disse que tomou uma “decisão pessoal” depois de conversar com sua família e que sua escolha não ocorreu por motivos de saúde ou por ambições políticas específicas.

Segundo o texto de um discurso endereçado aos membros da OMC, Azevêdo disse achar que isso é também do melhor dos interesses da Organização. “Quando os membros começarem a moldar a agenda da OMC para as novas realidades pós-Covid, devem fazê-lo com um novo diretor-geral”, afirmou em uma reunião virtual com membros nacionais nesta quinta-feira à tarde.

Qual o contexto de sua saída? Acontece enquanto o órgão vê seu papel na resolução de disputas ser afetado. O Conselho de Apelação foi paralisado em dezembro por uma decisão dos Estados Unidos de bloquear a indicação de juízes.

Alguns membros, destacadamente os EUA, Japão e União Europeia, pressionam por reformas mais fundamentais. Eles dizem que as regras comerciais globais precisam refletir novas realidades, como uma China mais forte, e lidar com problemas como subsídios estatais e transferências forçadas de tecnologia.

Além disso, os membros da OMC estão negociando um acordo para reduzir subsídios à pesca buscando permitir uma retomada dos estoques de peixes, enquanto um grupo menor está discutindo um possível acordo sobre e-commerce. Entretanto, persistem importantes diferenças e os grupos estão longe de um consenso necessário para fechar ambos os acordos.

A OMC está ativa? O órgão não produziu nenhum grande acordo internacional desde que a abandonou a “Rodada de Doha”, em 2015. Na ocasião, Azevêdo chegou a dizer que faltava esforço políticos dos membros para viabilizar o acordo.

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