As vendas de smartphone tiveram uma queda de 41% no início da pandemia, chamada de fase do pânico pelos estudiosos em comportamento de compra. Mas esse comportamento foi se alterando ao longo da quarentena – e a relação do consumidor com o celular também. Passado o pânico, vieram as fases de adaptação e de indulgência. E foi aí que as vendas do aparelho dispararam.

“As pessoas adiaram a compra do smartphone no início da pandemia, pois não sabiam como o país iria ficar. Mas depois de se adaptarem à quarentena e perceberem que a pandemia vai demorar para acabar. Por isso, passaram a se presentear e comprar aquilo que tinha sido adiado”, disse Fernando Baialuna, diretor de varejo da consultoria GfK.

De quanto foi esse crescimento? Na 32ª semana do ano, que coincide com a do Dia dos Pais, as vendas de smartphones cresceram 34% em relação ao mesmo período de 2019. A recuperação das vendas dessa categoria começou no Dia dos Namorados e se acentuou agora”, afirma Baialuna.

No ano, as vendas de telefonia representam 39% do faturamento do setor de eletroeletrônicos. Em agosto, essa fatia saltou para 44%.

Qual a grande surpresa dessas vendas? O que surpreende, segundo Baialuna, foi a expansão de 175% nas vendas de aparelhos premium, que são aqueles que custam mais de R$ 3.000. A participação desses modelos nas vendas totais de celulares passou de 12% em agosto de 2019 para 23% em igual mês de 2020.

Mas o que explica essa alta nesse momento de crise? Para o diretor da GfK, não existe um único motivo que justifica esse movimento. “Uma das razões é que o consumidor, principalmente os de classe A e B, passou a economizar com restaurantes, viagens, lazer. Então sobrou dinheiro para comprar um celular mais caro agora.”

Segundo ele, até o consumidor de menor renda aproveitou o auxílio emergencial para comprar smartphone. “Ouvimos relatos de do varejo de que pessoas que iam às lojas e diziam que podiam gastar R$ 400, pois os outros R$ 200 seriam usados para comprar comida.”

Mas é só celular caro que vende mais? Não mesmo. No Brasil, a maioria dos smartphones vendidos custa R$ 1.066 (com 32GB de capacidade, 2GB de RAM, tela de 6.2”). Esse já foi o modelo mais vendido em 2019, só que o aparelho custava R$ 756, em média.

Então houve aumento de preço na categoria? Sim. Houve repasse de preços e uma retirada de descontos que coincidiu com a reabertura das lojas físicas. No Dia das Mães, por exemplo, quando a maioria das lojas estava fechada, o preço médio do smartphone vendido no país era de R$ 1.194. Esse valor foi subindo e atingiu R$ 1.359 no Dia dos Pais.

O curioso é que no ano passado, quando as lojas não passaram por isso, os preços subiram no Dia das Mães (R$ 1.020) e caíram no Dia dos Pais (R$ 968).

Como ficam as vendas deste segmento daqui para frente?  Esse é o grande X da questão. Com a redução do valor do auxílio emergencial e possível repique do desemprego, a população perderá poder de compra. “Tudo depende de como vai ficar a economia do país e de como ficarão esses repasses de preços na cadeia produtiva. Depende também da reação do varejo em oferecer mais crédito e mais prazo. Se houver prazo e crédito, as compras podem continuar em alta.”

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