Por Rodrigo Viga Gaier

RIO DE JANEIRO (Reuters) – A Secretaria Municipal do Rio de Janeiro recebeu do Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas, da Fiocruz, a notificação de dois casos suspeitos de doença priônica, que em situações raras estaria associada ao consumo de carne bovina contaminada por Encefalite Espongiforme Bovina, também conhecida como doença da vaca louca.

O Ministério da Agricultura afirmou que dois casos de doenças neurodegenerativas em humanos investigados não têm relação com consumo de carne bovina ou subprodutos contaminados com Encefalite Espongiforme Bovina (EEB), conhecida como doença da “vaca louca”.

Segundo uma nota do órgão municipal, as notificações sobre as suspeitas foram encaminhadas à Secretaria Estadual de Saúde para desenvolvimento de ações.

As suspeitas foram verificadas nos municípios de Belford Roxo e Duque de Caxias.

De acordo com uma fonte com conhecimento do assunto, que pediu para não ser identificada, são casos suspeitos de doença de Creutzfeldt-Jakob (DCJ), que é neurodegenerativa, caracterizada por provocar uma desordem cerebral com perda de memória e tremores.

Conforme publicação do Ministério da Saúde, as principais formas clínicas de DCJ são esporádicas, o que acontece em 85% dos casos, afetando pessoas mais velhas. Nessa situação não há uma causa e fonte infecciosa conhecida, nem relação de transmissibilidade comprovada de pessoa a pessoa.

Há ainda a forma hereditária de DCJ, entre 10% a 15% dos casos da doença, decorrente de uma mutação no gene que codifica a produção da proteína priônica, e a iatrogênica, que acontece como consequência de procedimentos cirúrgicos, conforme uma publicação do ministério.

Há também a variante de DCJ, uma outra doença priônica, que está associada ao consumo de carne e subprodutos de bovinos contaminados.

A notícia é divulgada dois meses depois que o Brasil registrou dois casos “atípicos” da chamada doença de vaca louca em bovinos, um em Minas Gerais e outro em Mato Grosso, o que resultou em um embargo nas exportações para a China desde o início de setembro.

Os casos foram considerados “atípicos” por serem de um tipo espontâneo, e não por transmissão no rebanho.

De acordo com a Organização Internacional de Saúde Animal (OIE, na sigla em inglês), casos “atípicos” não oferecem riscos à saúde humana e animal, e são em geral detectados em bovinos mais velhos.

Mais cedo, a Reuters informou os casos suspeitos com base em duas fontes com conhecimento do assunto.

Nota do ministério

Segundo comunicado da pasta, as suspeitas são da Doença de Creutzfeldt-Jakob (DCJ), cuja maior incidência ocorre de forma esporádica e tem causa e fonte infecciosas desconhecidas.

“Desde que a vigilância da DCJ foi instituída no Brasil, nenhum caso da forma vDCJ foi confirmado”, disse.

A vDCJ é uma variante da DCJ associada ao consumo de carne bovina, disse a pasta citando informações disponíveis no site do Ministério da Saúde.

Logo após a divulgação da nota, a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, reforçou a informação em sua conta no Twitter.

“Informação importante sobre os casos de doenças neurodegenerativas investigados pela Fiocruz. Tratam-se de suspeitas da Doença de Creutzfeldt-Jakob (DCJ). Os casos suspeitos não têm relação com consumo de carne bovina”, afirmou ela.

Ainda de acordo com o comunicado do ministério, entre os anos de 2005 e 2014, já foram notificados no Brasil 603 casos suspeitos de DCJ.

Mais cedo, o Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas confirmou, em nota separada, que recebeu dois pacientes “com suspeita de EEB”.

Procuradas, as associações que representam os frigoríficos Abiec e Abrafrigo disseram que não iam se manifestar, e a Abiec acrescentou que replicaria o comunicado do Ministério da Agricultura.

 

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