Em meio à alta de preços do arroz, que virou até meme na internet, o Brasil importou, em setembro, 125,1 mil toneladas do cereal, uma alta de 181,7% na comparação com agosto. Apesar de a tarifa de importação ter sido zerada no mês passado, o forte crescimento na quantidade importada veio praticamente todo de fornecedores do Mercosul (Paraguai, Uruguai e Argentina), que já não pagavam essa taxa.

Em valor, as compras de outros países do cereal, um dos alimentos mais populares na mesa dos brasileiros, somaram US$ 47,2 milhões (cerca de R$ 260), crescimento de quase 160% em relação ao mês retrasado –os dados são do Comex Stat, do Ministério da Economia.

Mas tudo isso terá efeito sobre o preço do arroz, que voltou a subir em setembro e já acumula alta de 17,9% no ano, segundo o IBGE? A expectativa do governo é que sim, mas isso deve demorar no mínimo um mês para acontecer, como explicou ao 6 Minutos o diretor de Política Agrícola e Informações da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), Sérgio de Zen.

“Esperamos que o impacto da alta das importações sobre os preços demore de 30 a 90 dias para bater na gôndola do supermercado”, afirmou. “E no começo do ano, começa a ter entrada de arroz da nova safra brasileira, o que deve fazer os preços se normalizarem”.

Como as importações, historicamente, respondem por somente 10% do consumo interno, o Brasil precisará importar muito mais, até o final do ano, para ver um impacto maior sobre preços.

Alíquota zerada ainda não teve efeito

Em 9 de setembro, a Camex (Câmara de Comércio Exterior) decidiu zerar a taxa de importação para uma cota de 400 mil toneladas do produto até o final de 2020, mas a decisão ainda não se refletiu nas compras de países fora do Mercosul: Paraguai, Uruguai e Argentina responderam por 99,5% desse aumento registrado no mês passado.

As aquisições dos EUA, por exemplo, que no início deste mês informou venda de mais de 70 mil toneladas do produto ao Brasil, só entrarão nas estatísticas de outubro.

“A partir do momento em que se baixou a alíquota de importação, esse arroz tende a ficar mais barato. Mas existe um tempo entre o momento em que há a decisão de importar até as negociações acontecerem e a compra ser efetivada”, afirma De Zen, da Conab.

Segundo ele, a forte alta está relacionada com a mudança de hábitos durante a pandemia: no isolamento social, as pessoas passaram a se alimentar muito mais em casa, e a cozinhar mais o cereal.

“Isso não aconteceu apenas no Brasil. A América Latina como um todo aumentou o consumo de arroz durante a quarentena, e isso fez as exportações brasileiras aumentarem”, avalia.

No último sábado (dia 10), o presidente Jair Bolsonaro afirmou que o país aumentou as compras do cereal de outros países e que isso deve fazer os preços caírem.

“Na questão da inflação, cesta básica, eu conversei com a ministra Tereza Cristina Agricultura esta semana e ela disse que está chegando no Brasil não sei quantas mil toneladas de arroz, tivemos que importar e vai dar uma diminuída nos preços do arroz. Vem uma supersafra agora no final do ano, começo do ano que vem. Como a gente sabe disso? Pelo volume de crédito do Banco do Brasil”, disse Bolsonaro em uma transmissão ao vivo pelas redes sociais ao lado de uma apoiadora em Guarujá (SP).

Memes

A forte alta do arroz, com o pacote de 5 kg beirando os R$ 25 em supermercados de alguns estados e em estratosféricos R$ 53 em alguns marketplaces,  levou muita gente a protestar de forma bem humorada na internet.

Mesmo com as preocupações legítimas sobre o preço do cereal, o brasileiro conseguiu (mais uma vez) rir dos seus próprios problemas.

Memes com a alta do arroz

Memes com a alta do arroz
Crédito: Reprodução

Memes com a alta do arroz

Memes com a alta do arroz
Crédito: Reprodução

 

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