A disputa entre o grupo mais próximo ao presidente Jair Bolsonaro e os leais ao presidente nacional do PSL, Luciano Bivar, fez a primeira vítima nesta quinta-feira (17): Joice Hasselmann. A ex-apresentadora de rádio e atual deputada federal foi substituída, por Bolsonaro, da liderança do governo no Congresso Nacional.

Coincidência ou não, a decisão aconteceu horas depois de Joice ter contrariado o presidente e apoiado a permanência do deputado Delegado Waldir (GO), ligado a Bivar, como líder do PSL. O presidente tentou sem sucesso substituir Waldir pelo seu filho, o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP).

Por que isso é importante? O governo Bolsonaro tem um único partido oficialmente em sua base aliada: o PSL. E esse partido, vê-se agora em praça pública, está rachado. Para os próximos meses, o governo tem uma agenda de propostas econômicas densas e envoltas em controversas, como as reformas administrativa e tributária.

A tendência é que o presidente esteja cada vez mais à mercê dos interesses dos partidos do dito “Centrão”, a antiga base do governo Michel Temer que está distante da esquerda mas também não se alinha a Bolsonaro.

Prova disso é a escolha do substituto de Joice: o senador tocantinense Eduardo Gomes, filiado ao MDB de Temer. Agora com a liderança do governo no Congresso, o partido também já tinha a cadeira de líder no Senado, com Fernando Bezerra (MDB-PE).

Conferência de assinaturas. A disputa fratricida no PSL foi marcada, ao longo de quarta-feira (16), pela coleta de assinaturas promovida por Delegado Waldir e Eduardo Bolsonaro. Os dois apresentaram na Câmara dos Deputados requerimentos em que alegavam possuir o apoio de mais da metade da bancada para liderá-la.

No começo da tarde desta quinta, a Mesa Diretora da Câmara informou que, analisadas as assinaturas apresentadas pelos dois deputados, o único que superou o apoio de 27 parlamentares é Waldir, com 31 nomes e 29 validados. Eduardo Bolsonaro apresentou dois, ambos com 27 nomes, sendo que 26 foram validados no primeiro e 24 no segundo.

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