O presidente Jair Bolsonaro demitiu o secretário de Cultura, Roberto Alvim, após a repercussão gerada pela divulgação de vídeo nas redes sociais com referências nazistas. A decisão foi confirmada  em nota publicada em suas redes sociais.

Para Bolsonaro, um “pronunciamento infeliz, ainda que tenha se desculpado, tornou insustentável a sua permanência”. O presidente disse repudiar “ideologias totalitárias e genocidas” e manifestou apoio à comunidade judaica, que havia criticado a fala do agora ex-secretário. A Secretaria de Cultura é subordinada ao ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio.

Qual foi o motivo da polêmica? Em um vídeo para promover o Prêmio Nacional das Artes, Alvim simplesmente reproduziu um trecho do discurso de Joseph Goebbels, ministro da Propaganda da Alemanha nazista.

Mas a referência ao nazismo não se limitou ao discurso. A estética do vídeo e até a música ao fundo faziam alusão ao nazismo, que gerou uma onda de indignação nas redes sociais e entre autoridades e personalidades.

A música ao fundo, por exemplo, faz parte de uma obra de Richard Wagner, artista importante para Hitler, segundo ele mesmo conta em sua autobiografia. Publicado no Twitter oficial da secretaria, o vídeo foi apagado no começo da tarde desta sexta-feira.

Qual foi exatamente o trecho da discórdia? Foi esse aqui: “A arte brasileira da próxima década será heroica e será nacional. Será dotada de grande capacidade de envolvimento emocional e será igualmente imperativa, posto que profundamente vinculada às aspirações urgentes de nosso povo, ou então não será nada“, afirmou Alvim no vídeo.

Esse trecho é uma referência a um pronunciamento de Joseph Goebbels: “A arte alemã da próxima década será heroica, será ferramente romântica, será objetiva e livre de sentimentalismo, será nacional com grande páthos e igualmente imperativa e vinculante, ou então não será nada.”

Qual foi a repercussão? No mundo das autoridades, Rodrigo Maia usou as redes sociais nesta sexta-feira (17) para defender que Bolsonaro afaste Alvim.

 

Considerado guru ideológico de Bolsonaro e assumidamente alinhado à direita, Olavo de Carvalho escreveu no Facebook: “É cedo para julgar, mas o Roberto Alvim talvez não esteja muito bem da cabeça. Veremos.”

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