O presidente Jair Bolsonaro decidiu pôr um ponto final na sua relação de 1 ano e 8 meses com o Partido Social Liberal, o PSL. Bolsonaro vai deixar a legenda pela qual foi eleito e iniciar o processo da criação de um novo partido, que se chamará “Aliança pelo Brasil“.

Deixará imediatamente a legenda, junto com o presidente, um dos seus filhos, o senador Flávio Bolsonaro (RJ).

Os deputados federais que pretendem acompanhar Bolsonaro ainda precisarão buscar na Justiça o direito de deixar o PSL sem ferir as regras da fidelidade partidária, preservando os mandatos.

Correndo contra o tempo. O maior desafio da nova empreitada partidária de Bolsonaro é o calendário: o presidente tem até abril para registrar o partido se quiser organizar a candidatura de aliados às eleições municipais de 2020.

A principal exigência do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) para permitir a criação do partido é um número mínimo de assinaturas, cerca de 500 mil divididas em ao menos nove estados brasileiros. Apesar de reunir força política para alcançar as assinaturas, o presidente quer obter autorização da Justiça para coletar assinaturas por meios digitais — e não apenas assinaturas físicas, como se exige hoje.

Qual é o contexto da decisão? O estranhamento de Bolsonaro com o PSL e seu presidente nacional, o deputado Luciano Bivar (PE), veio à tona em 8 de outubro. Nesse dia, um vídeo de Bolsonaro dizendo a um admirador que Bivar estava “queimado pra caramba” e que era para “esquecer” o partido viralizou nas redes sociais.

Como pano de fundo, uma disputa pelo controle da máquina partidária e pelas verbas eleitorais a que o partido tem direito. Os fundos do PSL foram turbinados pela eleição expressiva do partido para a Câmara dos Deputados.

Filhos e aliados de Bolsonaro vinham disputando espaço com políticos mais próximos a Bivar. Desde que a crise estourou, o presidente do PSL já se movimentou para derrubar os filhos do comando de diretórios estaduais da legenda. Na Câmara, onde os bolsonaristas são maioria, o deputado Delegado Waldir (GO) perdeu o posto de líder para Eduardo Bolsonaro.

(Com Estadão Conteúdo)

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