A Black Friday deste ano não deve unir a fome com a vontade de comer. De um lado, segundo levantamento da consultoria GfK, o percentual de produtos à venda com descontos nunca esteve tão baixo. Do outro, os consumidores nunca quiseram gastar tão pouco. Ou seja, o comércio quer vender, mas pode não encontrar clientes com dinheiro suficiente para comprar na principal data do calendário do varejo.

Como assim? Os percentuais de desconto aplicados até agora indicam que não há muita margem para conceder descontões na Black Friday deste ano. Na Black Friday de 2019, havia 43% de produtos com descontos de 5% a 10%. De maio a agosto deste ano, o percentual de descontos nessa faixa caiu 17%.

Quando se olha para a faixa de desconto de 10% a 20%, a proporção de ofertas disponíveis é de apenas 6%. Na Black Friday de 2019, o percentual era de 20%.

Por que a redução de descontos? O 6 Minutos já explicou lá atrás que os preços dos itens mais desejados da Black Friday sofreram o impacto do dólar, pois vários de seus insumos são importados. É o caso dos smartphones, eletrônicos e eletrodomésticos.

Para agravar a situação, há uma falta generalizada de insumos para a indústria – reflexo da parada de produção em vários segmentos e da corrida por matéria-prima em outros países. Esse cenário pode reduzir a quantidade de produtos disponíveis para o varejo vender com preços mais competitivos. Ou seja, não há muito estoque para queimar.

“Vai ser uma Black Friday com menos promoções. Não existe mágica, o comércio e a indústria têm menos estoques, quem tenta comprar não encontra produto. Quem encontra, paga mais caro, pressionando o custo. E há aumento da demanda”, diz Fernando Baialuna, diretor da GfK.

Mas não vai ter desconto nenhum? Não é bem isso. Baialuna diz que grandes redes têm mais margem de negociação, por isso conseguem ainda comprar com melhores preços. Mas redes regionais e pequenos varejos não têm essa mesma força. “Esses lojistas têm dificuldade para comprar. Eles não encontram produto.”

Como o consumidor se prepara para essa Black Friday? A intenção de compra é altíssima (91%), segundo o levantamento da GfK. Mas não há tanto dinheiro sobrando para gastar: 44% têm menos recursos do que na Black Friday de 2019.

Por isso, 71% pretendem comprar o que precisam pagando menos. Entre os consumidores da classe C, esse percentual sobe para 75%.

O que o consumidor quer comprar? As maiores intenções de compra são para smartphones (44%), TVs (37%) e computadores (36%).

Entre os que pretendem comprar smartphones, 41% dizem que é para substituir um quebrado. Esse motivo é menor entre os que desejam levar uma TV (24%) ou um computador (27%).

Como serão as compras? A GfK acredita que será a Black Friday mais digital de todos os tempos. De acordo com o levantamento, 54% trocarão as compras nas lojas físicas pelas compras online.

O levantamento mostra que o percentual de compras online subiu de 25% em 2019 para 43% no período de maio a agosto, indicando que isso se repetirá na Black Friday.

Qual vai ser a solução para vender mais com menos promoções? Baialuna diz que com menos margem para descontos, uma das saídas será oferecer mais crédito e prazo de pagamento. Redes como Casas Bahia já anunciaram que os produtos da Black Friday poderão ser pagos em 30 vezes sem juros no cartão de marca própria.

 

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