O principal fator de escolha na hora de fazer uma compra na Black Friday ainda é o preço. Mas essa decisão vai levar em conta cada vez mais outros quesitos, como prazo de entrega. No ano em que mais brasileiros compraram pela primeira vez na internet, as dificuldades de produção e logística ficaram evidentes.

“Há três ou quatro anos, a Black Friday era focada em preço. Muita coisa mudou de lá para cá e o consumidor ficou mais preparado, dá atenção para o atendimento, para a entrega. Acredito que neste ano o a entrega rápida será um diferencial tão importante quanto preço para o consumidor”, disse Robson Privado, chefe de operações da MadeiraMadeira em evento do Google sobre a Black Friday.

Dados do Google mostram que as buscas por promoções subiram 38% entre abril e julho deste ano em relação ao mesmo período de 2019, indicando que o preço ainda é o principal critério para os brasileiros no momento de compra.

As pesquisas por frete grátis cresceram 118% em julho na comparação com novembro de 2019. As buscas por frete expresso também ganharam relevância e, segundo o Google, terão um papel importante nas compras antecipadas de presentes para o Natal.

Para Silvana Balbo, diretora de marketing do Carrefour, não tem nada pior do que frustrar o consumidor que fez uma compra esperando que ela chegasse antes do Natal.

“Uma dica que eu dou para o varejista é: seja transparente e siga boa máxima de que o combinado não sai caro. A pior coisa que pode acontecer numa Black Friday é prometer entregar antes do Natal e não cumprir com esse prazo. O que sugiro é entrar em contato com o cliente e renegociar prazo, mas sem frustrá-lo”, afirmou a executiva.

Que outros quesitos serão importantes na decisão de compra? Existem formas de atingir o consumidor com estratégias de cashback e cupons. Dessa forma, o preço não muda, mas o consumidor tem a sensação de que tem alguma vantagem financeira.

No Google, as buscas por cupom são 35 vezes maiores que por cashback. Mas isso pode mudar até a Black Friday. É que o interesse por termos relacionados a cashback cresce em ritmo mais acelerado (74% ano a ano) que o por cupom (+30%).

Mas o que significa essa questão do preço para o varejista? O preço continua sendo importante, mas o varejista terá de se superar para atender bem o cliente em outros quesitos. “Uma nova relação com o digital, somada às mudanças de comportamento e o cenário atual, tornaram o consumidor mais consciente de suas prioridades e mais planejado. Para ele, a Black Friday será menos sobre comprar o que está com super desconto e mais sobre fazer bons negócios”, diz Gleidys Salvanha, diretora de negócios para o Varejo do Google Brasil.

O que isso significará para o comércio? Para Gleidys Salvanha, será uma Black Friday diferente. “Não será um momento apenas para queima de estoque, mas uma oportunidade para lançar produtos, serviços, formas de se diferenciar e conquistar novos clientes”, completa.

O que o consumidor quer comprar? De tudo, até porque o consumidor brasileiro expandiu como nunca suas compras pela internet. Veja alguns levantamentos do Google:

  • Aumento de buscas por itens de Móveis e Decoração estão em patamar acima – 22% e 51% respectivamente – do registrado na última edição do evento;
  • Produtos das categorias TV e Vídeo, Telefonia e Eletrodomésticos estão num patamar de buscas muito acima do registrado antes da pandemia;
  • Alimentos e Bebidas, que não registravam picos durante a Black Friday, estão com buscas acima da Black Friday de 2019.

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