A Black Friday já se tornou a principal data de vendas do varejo brasileiro. E os golpistas já perceberam isso e aproveitam o período em que as pessoas estão mais dispostas a comprar para aplicar golpes. A ClearSale, empresa especializada em soluções, estima que as tentativas de golpes nas compras online devem crescer 52% na Black Friday deste ano em relação a 2020.

No ano passado, só entre seus clientes, a empresa registrou 22.467 pedidos fraudulentos, como os feitos com dados furtados. “Essas tentativas são frutos de dados roubados durante o ano e durante a Black Friday também. É um número expressivo de pessoas”, afirmou Roberto Achar, especialista de cibersegurança da ClearSale.

Quais são os tipos de golpes em compras on-line na Black Friday?

Um dos golpes mais usados por criminosos é o phishing, que pode chegar no e-mail ou mensagem de Whatsapp e SMS. Os fraudadores enviam mensagens de ofertas para as vítimas, induzindo-as a clicar em links.

“Eles podem direcionar a pessoa para uma página falsa, parecida com a de uma grande varejista. Ali há ofertas tentadoras e o consumidor acaba clicando nelas. A partir daí, o fraudador tem acesso aos dados da vítima ou pode induzi-la a digitar seus dados de pagamento. Os dados do cliente são vendidos na darkweb, esse é o objetivo principal”, afirmou Achar.

O especialista da ClearSale diz que é preciso ter cuidado com cupons de desconto e vale-presentes que chegam pelas redes sociais.

“Os golpistas estão interessados em seus dados pessoais e bancários. Tem fraudador que só quer enriquecer a base de dados para te lesar daqui a três meses, quando vão te ligar ‘do banco’ e você nem se lembra que forneceu seus dados”, diz o profissional.

Há ainda um golpe mais simples: falsos vendedores emitem um boleto, geralmente em nome de um laranja. Só que o cliente paga o boleto e não recebe o produto comprado.

“O criminoso que quer dinheiro na hora pede um Pix. Estimamos que 80% das reclamações neste ano serão por essa fraude. Por mais que Banco Central crie regras, o fraudador está cada vez mais esperto para burla-las”, analisa Achar.

Como o consumidor pode se prevenir?

A primeira recomendação que o especialista em direito digital Pedro Sanches, do escritório Prado Vidigal, faz é que o consumidor não clique em links que chegam via Whatsapp, SMS ou outro meio digital. Ao clicar, a vítima faz contato com o fraudador.

“Dá trabalho, mas é mais confiável conferir o endereço do site real da empresa digitando seu endereço no navegador, ao invés de dar uma busca no Google”, explicou o advogado.

O consumidor deve estar atento à URL do link, que não deve ter nenhuma palavra antes do nome da empresa. Também é preciso ter um cadeado de segurança, que garante que o site é confiável.

Alguns golpistas também tentam se passar por bancos. Eles enviam um telefone por SMS pedindo para a vítima ligar para confirmar uma compra, sempre solicitando a confirmação dos dados. O número é de uma central falsa.

“Não é prática dos bancos enviar mensagens. Ao invés de ligar para o telefone da mensagem, ligue para os números que aparecem nos canais oficiais do banco ou mesmo para seu gerente”, aconselha Sanches.

Outra dica é verificar a reputação da empresa antes de comprar. “Existe uma lista no Procon de São Paulo dos sites não recomendáveis. Só no ano passado foram 500. Dá para checar também se o site tem histórico de reclamações nos órgãos que recebem essas comunicações”, orientou Igor Marchetti, advogado do Idec (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor).

Sites cheios de selos de credenciais, com logotipos do próprio Idec e do Procon, também devem levantar suspeitas, afirma o advogado.

“O Idec não dá nenhum certificado, nosso estatuto não permite isso. Certificação pode ser usada como aval para violar o direito do consumidor. Defendemos o consumidor e não a empresa. Empresas sérias não precisam dessas certificações, ela se garant.”

Qual o papel das empresas para evitar fraudes contra seus clientes?

Os grandes varejistas e marcas que participam da Black Friday devem ficar atentos às ameaças de ataques ransomware durante o evento neste ano.

“Eles têm de se preparar para a Black Friday para não deixar de vender e não deixar seus consumidores à mercê golpes. As empresas têm de olhar para sua proteção, fazer uma revisão do controle de segurança, identificar as vulnerabilidades e ver se não tem nada plantado em suas redes esperando chegar a Black Friday para atuar”, disse Leonardo Carissimi, diretor de cibersegurança e privacidade da Capgemini no Brasil.

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