Como esperado pelo mercado, o Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central) elevou a taxa básica, a Selic, em mais 0,75 ponto nesta quarta (5), para 3,5% ao ano, dando continuidade ao ciclo de aumento dos juros iniciado em março.

No comunicado que acompanha a decisão, o BC sinalizou que haverá uma nova alta, de mesma magnitude, na próxima reunião do comitê.

“Para a próxima reunião, o Comitê antevê a continuação do processo de normalização parcial do estímulo monetário com outro ajuste da mesma magnitude. O Copom ressalta que essa visão continuará dependendo da evolução da atividade econômica, do balanço de riscos e das projeções e expectativas de inflação”, afirma o texto.

O BC disse ainda que, no momento atual, o mais indicado é uma “normalização parcial” da taxa de juros, ou seja, que seja mantido algum estímulo monetário à economia.

“Neste momento, o cenário básico do Copom indica ser apropriada uma normalização parcial da taxa de juros, com a manutenção de algum estímulo monetário ao longo do processo de recuperação econômica. O comitê enfatiza, entretanto, que não há compromisso com essa posição e que os passos futuros da política monetária poderão ser ajustados para assegurar o cumprimento da meta de inflação”, afirmou.

Mais inflação

A decisão acontece em meio às expectativas de uma inflação para 2021 cada vez maior –dados do último boletim Focus mostram que os analistas já esperam um IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) de 5,10% até o final do ano, quase encostando no teto da meta para o ano, que é de 3,75%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo.

A expectativa do mercado é que a Selic sofrerá novas altas, chegando a 5,5% no final de 2021.

Na última decisão, em março, o comitê surpreendeu os analistas ao elevar a taxa em 0,75 ponto percentual –a maior parte dos economistas apostava em uma alta mais modesta, de 0,5 ponto.

Cenário fiscal

Além da inflação, a desconfiança do mercado com a capacidade do governo de conter o aumento dos gastos também tem papel importante nesse processo, já que a popularidade do presidente Jair Bolsonaro vem piorando.

Esse cenário aumenta a probabilidade de Bolsonaro tomar medidas que envolvem aumento de despesas na tentativa de agradar à população, em especial de baixa renda.

Isso pressiona o dólar e a curva de juros, que dá a medida do quanto investidores pedem para financiar títulos de longo prazo de um país.

Quer receber notícias do 6 Minutos direto no seu celular? Estamos no Telegram (t.me/seisminutos) e no WhatsApp (https://6minutos.uol.com.br/whatsapp).