Com o objetivo de estimular a economia brasileira em um cenário de pandemia e inflação baixa, o Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central cortou nesta quarta-feira (dia 5) a taxa básica de juros, a Selic, em 0,25 ponto percentual, para 2% ao ano.

A decisão, que foi unânime, correspondeu às expectativas da maior parte dos analistas de mercado, já que o próprio comitê afirmou que havia espaço para ajustes residuais na taxa. Foi a nona redução consecutiva na Selic, em um ciclo de cortes iniciado em agosto do ano passado.

No comunicado que acompanha a decisão, o comitê não descartou novos cortes, mas disse que uma nova queda na taxa, “se houver”, será menor do que o corte feito nesta quarta.

“Eventuais ajustes futuros no atual grau de estímulo ocorreriam com gradualismo adicional e dependerão da percepção sobre a trajetória fiscal, assim como de novas informações que alterem a atual avaliação do Copom sobre a inflação prospectiva”, afirmaram os membros do comitê no texto.

Com o corte, o BC espera estimular o PIB (Produto Interno Bruto), que deve cair 5,6% neste ano por causa das medidas de isolamento social, na avaliação de analistas ouvidos pelo boletim Focus.

A medida foi tomada em um contexto em que a inflação, objetivo central da política monetária, não representa nenhum risco por causa da forte queda de demanda: o Focus espera que o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) encerre o ano em 1,63% –a meta para o ano é de 4%, com um intervalo de tolerância de 1,5 ponto para cima ou para baixo.

Nesta terça (dia 4), o IBGE divulgou que a produção industrial avançou 8,9% em junho sobre maio. Apesar do indicador vir acima do esperado pelo mercado, a avaliação é que será difícil recuperar a queda acumulada entre março e abril, de 26,6%.

Como a redução da taxa básica de juros impacta a atividade? O impacto mais imediato é sobre as aplicações financeiras.

A decisão aprofunda um cenário em que os juros reais já são negativos no Brasil. Ou seja, considerando-se a inflação do período, o investidor inclusive perde dinheiro se o seu investimento em renda fixa seguir a rentabilidade dos títulos públicos.

Nesse cenário, a queda nos juros é um estímulo adicional à diversificação de investimentos.

Um outro efeito é o barateamento do crédito, o que estimularia investimentos do setor privado e também o consumo das famílias. Entretanto, dado o tamanho da crise econômica provocada pela quarentena, há dúvidas sobre o limite da política monetária.

Por fim, juros menores reduzem a dívida pública, que é emitida pelo Tesouro para financiar o deficit orçamentário do governo federal (ou seja, para pagar gastos que ficam acima da receita com tributos).

E qual o impacto sobre o dólar? A decisão coloca mais pressão sobre a cotação da moeda americana.

Isso porque uma Selic ainda mais baixa torna o país menos atraente para investimentos estrangeiros em renda fixa. Isso acaba sendo um estímulo para a desvalorização do real.

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