Em meio à crise do coronavírus, o governo avalia ajuda a grandes empresas através de apoio para contratação de dívida ou por meio de títulos que posteriormente poderiam ser convertidos em ações, afirmou nesta quarta-feira (dia 8) o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto.

Em videoconferência com executivos do banco Credit Suisse, ele afirmou que os recursos liberados para os bancos que já foram injetados na economia por medidas do BC são suficientes, mas que a autoridade monetária tem mais iniciativas na manga caso seja necessário.

“Estamos sempre olhando para ver o que precisa fazer”, afirmou.

Como as grandes empresas ainda não foram contempladas por uma iniciativa de grande porte, Campos Neto declarou que o governo analisa dois tipos de programa.

Quais são os programas sob análise segundo o presidente do BC? O primeiro envolve dívida, com as empresas podendo aumentar sua alavancagem (ou seja, melhorar a rentabilidade através de endividamento) através de ajuda do governo.

Segundo a Reuters apurou, nesse desenho o Tesouro ficaria com as perdas resultantes da inadimplência até um certo valor. Acima disso, o prejuízo seria suportado pelos bancos.

O presidente do BC ponderou que para alguns negócios e setores isso não seria o mais adequado em função de um quadro de endividamento já alto. “No final das contas, você deixar a empresa altamente endividada distorce a estrutura de capital”, disse.

E qual o projeto para as grandes empresas já muito endividadas? Há uma outra possibilidade em estud0 para as empresas que já estão excessivamente alavancadas. Para esse grupo, o BC se debruça sobre algo que envolva “algum conversível”: ou seja, a possibilidade de os recursos injetados em auxílio pelo governo serem posteriormente convertidos em ações das empresas.

“O que está sendo feito para as maiores está nessas duas linhas, de first loss [ou seja, um tipo de seguro que oferece uma cobertura parcial das possíveis perdas] e alguma coisa com equity“, resumiu.

No modelo de equity, as empresas na prática dão um pedaço da participação do negócio ao governo ou a bancos em troca dos recursos recebidos, em vez de elevarem sua dívida.

E para as empresas menores? Há novos programas sendo pensados? Para as empresas pequenas, com faturamento anual abaixo de R$ 360 mil reais, ele disse que o governo está pensando em “vários programas”, destacando eventual utilização das maquininhas de cartão para concessão de crédito, sem dar mais detalhes a respeito.

No final do mês passado, Campos Neto anunciou um programa de R$ 40 bilhões em crédito do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), recursos operacionalizados por bancos privados, para financiar o pagamento da folha de salários das empresas menores.

Por que a prioridade foram as empresas de pequeno e médio porte? O presidente do BC afirmou que a opção por contemplar primeiro as pequenas e médias empresas, com faturamento entre R$ 360 mil reais e R$ 10 milhões de reais, veio após simulações feitas pelo Banco Central (os chamados “testes de stress” do sistema) mostrarem resultado que “não foi muito bom” para esse segmento na crise.

As consequências, disse ele, poderiam drenar “liquidez do sistema bancário relativamente grande”.

Por isso, o governo lançou o programa de financiamento a folha de pagamento apenas a esse público.

(Com a Reuters)

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