A economia brasileira continua a enfrentar muitas dificuldades para voltar a crescer, mas os bancos privados que atuam no país nunca tiveram uma capacidade tão alta de ganhar dinheiro. Foi o que o Banco Central revelou nesta quinta-feira (dia 10) com a divulgação do Relatório de Estabilidade Financeira (REF) do primeiro semestre.

A capacidade de ganhar dinheiro — medida pela rentabilidade — dos bancos brasileiros continuou a crescer nos seis primeiros meses do ano e atingiu o maior patamar desde 2012. No caso da instituições financeiras privadas, o indicador foi o mais elevado desde que começou a ser calculado pelo BC, em 2011.

O que é a rentabilidade? É o retorno que uma empresa ou um banco obtém em cima do dinheiro investido. É a mesma ideia por trás do retorno que um indivíduo tem quando faz uma aplicação financeira. Se uma pessoa colocou R$ 100 em uma aplicação e, depois de um ano, passou a ter R$ 110, a sua rentabilidade foi de 10%.

O resultado não era esperado? Não exatamente. A expectativa do Banco Central era que a rentabilidade havia se estabilizado no primeiro semestre, mas ela continuou a melhorar.

Segundo o documento divulgado nesta quinta, o indicador chamado de Retorno sobre o Patrimônio Líquido (ROE) do sistema bancário alcançou 15,8% em junho de 2019, um aumento de 1,1 ponto percentual em relação a dezembro de 2018. Foi o nível mais elevado desde março de 2012, quando o ROE estava em 15,9%.

Esse indicador mede o lucro obtido pelos bancos em cima do dinheiro investido pelos acionistas.

E como ficou a rentabilidade do setor privado? Olhando apenas para os bancos privados, o retorno sobre o patrimônio líquido alcançou 16,5% ao fim do primeiro semestre, acima dos 15,6% registrados em dezembro de 2018. Trata-se do maior patamar da série disponibilizada pelo BC, com início em dezembro de 2011.

Já entre os bancos públicos, a rentabilidade subiu para 14,3% em junho, acima dos 12,8% no fim do ano passado.

Rentabilidade dos bancos privados no Brasil bate recorde no primeiro semestre, segundo o BC
Crédito: Shutterstock

Mas isso não acontece no mundo todo? Não na maior parte do mundo. A título de comparação, o retorno sobre o patrimônio líquido dos bancos brasileiros ganha do observado, por exemplo, na Turquia (14,2%), na China (13,2%), na Rússia (11,1%) e nos Estados Unidos (3,5%). Só perde da rentabilidade dos bancos na Argentina (55,8%) e no México (20,9%), conforme dados disponibilizados pelo BC nesta quinta-feira.

Quais as razões para a rentabilidade tão elevada no Brasil? De acordo com o BC, a melhora no primeiro semestre veio da recuperação gradual no crescimento da carteira de crédito e do aumento na eficiência operacional dos bancos públicos.

Analistas apontam também as elevadas taxas de juros cobradas de consumidores e empresas, muito acima do que os mesmos bancos pagam para captar no mercado, e as tarifas de serviços como outros motivos que explicam a rentabilidade acima da média no Brasil na comparação com outros países.

O BC havia dito que a expectativa para este ano era que a rentabilidade se estabilizasse depois que os bancos cortaram “gordura” em custos e reduziram despesas de provisão para cobrir perdas com inadimplência.

(Com a Reuters)

 

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