O cadastramento das chaves das pessoas para utilização do PIX, nome do sistema brasileiro de pagamentos instantâneos, começa apenas em 5 de outubro. Mas os bancos já deram a largada na corrida pelo cadastramento dessas chaves, que nada mais são do que formas de identificar quem utiliza a plataforma – isso pode ser feito pelo número de telefone, do CPF ou CNPJ e do endereço de e-mail.

Não tem que esperar até 5 de outubro? O que os bancos já estão fazendo é o pré-cadastramento de chaves. Esse é o caso do Inter, que iniciou o pré-cadastro do PIX. Ao acessar o app do banco, correntistas recebem uma mensagem para se cadastrarem em uma lista e serem os primeiros a testarem a novidade.

Mas já pode fazer isso? Pode. O Banco Central disse que “as ações com vistas à indução de cadastro das chaves PIX podem ser realizadas, inclusive com ofertas de benefícios aos futuros cadastrados”. Ou seja, os bancos poderão dar incentivos aos clientes.

A única exigência do BC é que a mensagem do banco explique que o PIX é um novo meio de pagamento, que o objetivo das chaves é facilitar o recebimento e que o cadastro efetivo das chaves só poderá ser feito a partir de 5 de outubro.

Qual a vantagem de sair na frente nesse cadastro? É o de tentar ser o banco de preferência do usuário para realização das transações de pagamento, recebimento e transferências de dinheiro. “Esse início tem sido encarado como um momento importante, porque o cliente indica por qual instituição vai começar a fazer transações pelo PIX, afirma Daniel Mazini, chief product officer da Neon.

Mas é tão importante sair na frente? Não parece. Nada obriga a pessoa que cadastrar sua chave em um banco a ficar amarrada nele para o resto da vida. Muito pelo contrário: a transferência de chave para outro banco deve ser feita de forma bem simples.

“Não acho que seja uma corrida de 100 metros, é mais uma maratona pelo cadastro de chaves. Se o cliente não for bem atendido, ele vai simplesmente trocar sua chave de banco”, diz Nayra Bruno, gerente de operações da fintech Rebel.

Além disso, o cliente não precisa ter suas chaves cadastradas na mesma instituição. Ou seja, o CPF pode estar no banco A, o e-mail na fintech B e telefone na carteira de pagamento C.

Faz sentido então essa corrida louca pelas chaves? Max Gutierrez, head de produto e pessoa física do C6 Bank, diz que a corrida tem que ser pelo relacionamento com o banco, não pelo cadastramento de chaves.

“A pessoa pode ter conta em vários bancos, mas na hora de usar o PIX vai preferir o banco com quem já tem relacionamento. Pode vir outro banco e dar R$ 10 para abrir uma conta. O que ela faz? Abre a conta, usa os R$ 10 e depois volta para a outra instituição”, diz Gutierrez.

Segundo Gutierrez, o que fará diferença é a escolha da instituição que será utilizada para pagar com o PIX. “Não adianta cadastrar a chave em um banco e não ter um real depositado lá. Precisa ter relacionamento, dinheiro na conta, usar cartão de débito ou crédito. Se o cliente se relaciona com um banco, não tem por que usar o PIX do concorrente.”

Com tantas chaves, qual delas o cliente vai usar? Mazini, da Neon, diz que vai ser a chave cadastrada no banco que o cliente mais utiliza. “Vai ser o app que eu mais uso. E tem que ser fácil de usar, porque se tiver que digitar muita coisa, não vai funcionar.”

Para Nayra, da Rebel, o que vai pesar é a qualidade do atendimento prestado ao cliente. “Hoje, as pessoas têm resistência de trocar de conta. Com o PIX, não vai mais ter isso. Ela cadastra a chave em outro banco e pronto. A corrida vai ser no sentido de manter esse cliente e para isso a instituição terá que se diferenciar, oferecendo um serviço melhor.”

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