O setor bancário brasileiro fechou 889 agências de  janeiro e agosto de 2021, de acordo com os últimos dados disponíveis. Um raio-x mais atual desse cenário poderá ser conhecido a partir desta quarta-feira (dia 27), quando começa a temporada de balanços dos bancos – o Santander é o primeiro a revelar seus números do terceiro trimestre.

Iniciado em 2016, o processo de desmobilização das estruturas físicas das instituições financeiras é reflexo da migração de diversos serviços financeiros para os meios digitais. Bradesco e Banco do Brasil são responsáveis por 78% desta redução de agências, ao passo que a Caixa Econômica Federal manteve as 3.372 dependências que dispunha desde o fim do ano passado e o Itaú inaugurou 14 novos pontos.

Atualmente, existem 17.795 pontos físicos de atendimento. Os principais bancos de varejo têm disputado o mercado de bancos digitais, que cresceram principalmente entre os jovens por oferecerem serviços livres de taxas ou com custos mais baixos.

No começo do mês, o Bradesco adquiriu por R$ 625 milhões os 49,99% do banco digital Digio que ainda pertenciam ao Banco do Brasil e se tornou o único controlador da empresa.

Por que isso vem acontecendo?

Segundo o analista de instituições financeiras da Austing Luis Santacreu, a entrada dos bancos tradicionais no ramo dos serviços digitais por aplicativo, a exemplo do Next, do Bradesco, e do Iti, do Itaú, devem acelerar o fechamento de agências.

“É claro que esse processo com relação aos grandes bancos é mais lento. O Itaú está mudando sua cara e suas estruturas internas. Gerar agilidade em um banco como o Itaú não é tão fácil quanto gerar agilidade em um banco digital. À medida em que os bancos tradicionais tiverem mais adesão em seus serviços digitais, a tendência é que o fechamento de agências se intensifique. O custo de fazer uma operação pelo aplicativo é muito menor do que manter uma agência com segurança, conta de luz e caixa”, diz ele.

E os empregos?

Essas mudanças, no entanto, não se converteram em redução da geração de empregos do setor, conforme indicam dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados). Os bancos criaram 1.448 novos postos de trabalho entre janeiro e agosto deste ano. Mas a maior parte desse saldo se deve a uma decisão judicial em favor da contratação de aprovados em concurso da Caixa Econômica Federal de 2014 e ao aumento da demanda por especialistas em tecnologia da informação (TI), um sinal dos esforços para oferecer mais serviços pela internet. No acumulado de 12 meses, houve 43 mil demissões de bancários, destaca o relatório do Dieese.

“Apesar de a redução dos empregos nos bancos ser uma tendência, também há oportunidades principalmente para profissionais de tecnologia. Hoje temos um CEO à frente da XP que era da área de TI. Isso seria inimaginável anos atrás”, afirma o relatório do Dieese.

Para Santacreu, os bancos ainda buscam calibrar o número ideal de agências físicas em funcionamento. Em que pese a digitalização ser um novo paradigma para os serviços financeiros, ele destaca a quantidade de brasileiros ainda sem acesso à internet e em situação de vulnerabilidade social como um entrave a este processo.

“O surgimento das fintechs criou essa nova realidade, que não pode ser ignorada, mas é preciso lembrar que o Brasil não é um país homogêneo. Ainda existem pessoas que sequer têm conta em banco. Essas ainda estão distantes de aderir ao internet banking como já ocorre nos grandes centros urbanos do país.”

A Caixa Econômica Federal deve assumir cada vez mais o papel de suprir a falta de agências bancárias nas regiões mais remotas do país, onde os bancos privados têm desativado suas dependências por falta de demanda que justifique todos os custos envolvidos na manutenção de estruturas físicas, avalia Santacreu.

“A Caixa vinha em um movimento contrário, de ampliação do número de agências. Isso é uma grande discussão sobre qual o papel dos bancos públicos. Ainda não se sabe em que medida eles vão aderir a esse processo, mas até agora temos visto uma lentidão maior na comparação com os bancos privados.”

Santacreu também acredita na possibilidade de os bancos aderirem às agências inteligentes, estruturas físicas para atendimento bancário capazes de funcionar com um número mínimo de funcionários por meio do auxílio de ferramentas tecnológicas.

 

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